Vazamento compromete operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Relógios de luxo e fuga de empresários indicam vazamento no Piauí.
A Polícia Civil do Piauí está investigando um possível vazamento de informações na Operação Carbono Oculto, realizada na manhã de quarta-feira (05). A operação interditou 49 postos de combustíveis nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins, que são suspeitos de funcionar como empresas de fachada para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O secretário de Segurança do Piauí, Chico Lucas, revelou que foram descobertas caixas vazias de relógios de luxo nas residências dos investigados. Ele destacou que dois empresários, alvos de mandados de busca e apreensão, viajaram para São Paulo e Brasília um dia antes da operação, o que levanta suspeitas de um possível vazamento de informações.
Em entrevista à TV Clube, Chico Lucas afirmou:
“Nós achamos dezenas de caixas de relógios e de joias vazias. Esses relógios custam centenas de milhares de reais, são Rolex e outras marcas famosas. Então, muito provavelmente, como têm valor agregado muito alto, eles colocaram dentro da mala e fugiram. Vamos relatar tudo isso à Justiça, mostrando que houve sim evasão de patrimônio e de recursos."
O esquema sob investigação envolve uma rede de lavagem de dinheiro estimada em R$ 5 bilhões. Além dos postos de combustíveis, o grupo utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para disfarçar o patrimônio do PCC. Entre os bens apreendidos estão um Porsche de R$ 550 mil e um avião modelo Cessna Aircraft 210M, pertencente ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio.
Chico Lucas também mencionou que foram solicitadas informações à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre outras aeronaves associadas ao grupo. “Uma aeronave foi localizada, já foi sequestrada, as outras três a gente tá pedindo informação para a Anac para saber qual o destino delas”, acrescentou o secretário.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências de condomínios de luxo nos bairros Uruguai e Novo Uruguai, na Zona Leste de Teresina, além de cinco apartamentos nas zonas Leste, Sudeste e Sul da capital. Também houve busca em um imóvel de condomínio em Araraquara, no interior de São Paulo. A Justiça também ordenou o bloqueio de R$ 348 milhões em bens pertencentes a 10 pessoas e 60 empresas.
De acordo com o secretário, os empresários não foram localizados durante a operação, e o Ministério Público do Piauí deve solicitar à Justiça a prisão deles por não terem contribuído com as investigações. “O MP vai recorrer pedindo a prisão deles justamente por não terem contribuído com as investigações”, explicou.