Sem atas e Justiça Eleitoral: Manobra de Maduro questionada
Confirmando a reeleição de Nicolás Maduro para mais um mandato de seis anos
Cinco dias após a realização das eleições presidenciais na Venezuela, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) divulgou o segundo boletim oficial dos resultados, confirmando a reeleição de Nicolás Maduro para mais um mandato de seis anos. No entanto, o processo continua envolto em polêmicas e denúncias de fraude, com a oposição e a comunidade internacional questionando a transparência do escrutínio.
A presidência do CNE, sob o comando do ex-deputado chavista Elvis Amoroso, informou que 96,87% das atas foram analisadas e que Maduro recebeu um número ainda maior de votos do que o inicialmente reportado. Segundo Amoroso, Nicolás Maduro obteve 6.408.844 votos, correspondendo a 51,95% do total, enquanto seu principal adversário, Edmundo González, alcançou 5.326.104 votos, representando 43,18%.
A taxa de participação foi de 59,97%, um número considerado baixo para padrões venezuelanos. Amoroso atribuiu o atraso na divulgação dos resultados a um suposto “ataque cibernético”, mas não forneceu as atas que corroborassem essa afirmação, aumentando as suspeitas de manipulação eleitoral.
A ausência dessas atas, exigidas tanto pela oposição quanto por observadores internacionais, é um ponto central nas alegações de fraude e questiona a legitimidade do processo eleitoral, aprofundando ainda mais a crise política na Venezuela.
Convocação da Justiça Eleitoral: Maduro tenta legitimar.
O TSJ (Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela), amplamente visto como um instrumento do regime chavista, convocou os dez candidatos para comparecer à Corte nesta sexta-feira (2), às 15h (horário de Brasília). O objetivo declarado é iniciar a apuração sobre o resultado da votação do último domingo (28). No entanto, críticos enxergam essa ação como uma tentativa descarada de Nicolas Maduro de legitimar uma eleição amplamente considerada fraudulenta.
A Corte, alinhada ao governo, aceitou um recurso apresentado pelo próprio Maduro. Ele solicitou uma perícia técnica de todo o processo eleitoral, exigindo a apresentação das atas e documentos em mãos de todos os partidos, com os dados das mais de 30 mil mesas de votação. Essa movimentação é vista por opositores como uma farsa, uma maneira de encobrir irregularidades e fraudes massivas que ocorreram durante o processo eleitoral.
A eleição foi marcada por violência e repressão. Pelo menos 19 pessoas morreram durante as eleições e nos protestos subsequentes, que questionam a nomeação do ditador Nicolás Maduro como presidente da Venezuela. As mortes, consequência da brutal repressão estatal, apenas reforçam a percepção de que o regime de Maduro não hesita em usar a força para silenciar a dissidência e manter seu controle autoritário sobre o país.
O apelo à Corte não é visto como um passo genuíno para resolver a crise eleitoral, mas sim como uma estratégia cínica para validar um processo viciado e continuar a perpetuação de um regime que já se provou repetidamente disposto a subverter a democracia e os direitos humanos em prol de sua própria sobrevivência.