Homem é preso após tentar ocultar feminicídio ao levar vítima a hospital
Enfermeiras perceberam o crime e acionaram a polícia.
Um homem de 38 anos foi preso em Teresina sob a acusação de feminicídio, após sua companheira Rayane do Nascimento Souza falecer em decorrência de violência doméstica.
A delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que o suspeito tentou encobrir as agressões dizendo que as lesões na vítima foram resultado de uma queda no banheiro.
Nathalia revelou que o vendedor mentiu sobre a identidade de Rayane ao levá-la para atendimento médico e, posteriormente, tentou ludibriar a polícia registrando um Boletim de Ocorrência de desaparecimento da companheira.
Detalhes do caso
O suspeito levou Rayane à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Promorar, alegando que ela havia caído no banheiro. No entanto, os profissionais de saúde constataram que ela apresentava graves lesões, hematomas e estava em estado debilitado. Ao perceberem se tratar de violência doméstica, as enfermeiras interromperam o contato do agressor com a vítima e acionaram a polícia.
"Ele levou ela na UPA do Promorar alegando que ela caiu no banheiro. Porém, a equipe médica notou que ela estava bastante lesionada, com hematomas, sem responder aos estímulos médicos e muito debilitada. Ao identificar que se tratava de um caso de violência doméstica, as enfermeiras cortaram contato do agressor com a vítima e acionaram a polícia. Rayne foi transferida para o HUT, e como ele não tinha mais contato com ela, foi no DHPP registrar o seu desaparecimento com o intuito de parecer inocente", explicou a delegada.
Rayane foi transferida para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT), enquanto o suspeito, sem mais contato com ela, foi à DHPP registrar seu desaparecimento na tentativa de parecer inocente.
Rayane, que convivia com o vírus HIV, foi transferida para o Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella devido à gravidade de seu quadro. O suspeito foi detido preventivamente em 10 de julho e, após a morte de Rayane em 18 de julho, o indiciamento evoluiu de tentativa para feminicídio consumado.
Análise dos fatos
Nathalia Figueiredo relatou que Rayane deu entrada na UPA do Promorar em estado grave, sem responder a estímulos, o que levantou suspeitas sobre lesões intencionais. A vítima foi apresentada pelo suspeito com uma identidade falsa, sendo natural de outro estado, o que aumentou a complexidade do caso.
Os profissionais de saúde constataram escoriações, hematomas, anemia grave, desidratação, taquicardia e lesões diversas no corpo de Rayane. A delegada ressaltou que mesmo que as alegações do suspeito fossem verdadeiras, manter alguém nessas condições por tanto tempo não era justificável.
Rayane vivia em Teresina sem contato com a família, que afirmou não tê-la visto há seis anos. O laudo da morte apontou que as múltiplas lesões sofridas foram determinantes para seu falecimento, em decorrência da violência doméstica.