Aclamada na Flip, Marina Silva crítica PL do Desmatamento
Na Flip, Marina Silva critica afrouxamento ambiental e defende ativismo coletivo pelo clima
Aplaudida de pé na Flip, em auditórios lotados (principal e da praça), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva criticou o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados, que afrouxou as regras do licenciamento ambiental e que se todos forem ativistas do clima não precisaria de heróis.
“Temos que trabalhar muito para não ter heróis. Os heróis são uma denúncia contra nós. O herói só é uma pessoa extraordinária porque a gente não faz da causa que ele transforma em extraordinária numa ação ordinária…se todo mundo for um ativista do clima, ativista da floresta, da biodiversidade não precisa ter heróis”, disse.
Sobre o PL do Desmatamento, Marina Silva adiantou que existe um grupo de trabalho do governo para analisar o projeto e disse que pode haver avanços no diálogo na Câmara e no Senado.
“Não vejo como alcançar as metas de emissão de CO2 se o licenciamento for mutilado, desfigurado como está sendo no PL da forma como foi aprovada no Congresso. Não consigo imaginar como vamos zerar desmatamento em 2030 e conseguir bons resultados”, disse anunciando que o desmatamento na Amazônia reduziu em 46% nos dois anos e meio.
Se o projeto for sancionado da forma como foi aprovado haverá um “processo generalizado de judicialização”.
Segundo Marina, o PL do Desmatamento é uma “pedagogia do prejuízo” e que “não precisa destruir para a gente crescer e desenvolver”.
Os ataques no Congresso
Marina falou dos ataques que sofreu no congresso e lembrou emocionada do apoio do presidente Lula.
“Ele (presidente Lula) me ligou. Aí, eu já fui perguntando, como é que o senhor está? E ele disse: 'quando eu vi você se levantando e saindo dali, eu fiquei melhor'. E aquilo também foi um momento de sustentação. Porque ele estava descansando, e ele ligou, e disse que melhorou, porque ele estava assistindo. Então, essas coisas, é isso que a gente se organiza”, disse Marina lembrando que na época Lula estava hospitalizado.
A ministra defendeu que não se deve usar as mesmas armas dos que atacam e que a resistência é coletiva.
“Você sendo atacado, não era o indivíduo, o que estava sendo atacado é por ser mulher, preta, de origem humilde por defender uma causa que é de todos”, disse a ministra.