Violeiro

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Violeiro
Violeiro (Foto: Gerado por IA)

Dois amigos, certo dia,
Resolveram viajar,
Botaram viola nas costas
Sem destino pra chegar.
Uma pinga na sacola,
Fumo pra acompanhar.

Cada qual no seu jumento,
Sem dinheiro e sem patrão,
André era mais calado,
Raimundo, mais folgazão;
Um pensava em silêncio,
O outro cantava o refrão.

André, homem acanhado,
Observava com atenção;
Raimundo, sempre sorrindo,
Tinha riso e opinião,
Com jeito meio matreiro,
Mas bom no improvisação.

Onde havia uma venda,
Ou um terreiro enluarado,
Afinavam as violas,
O repente era puxado;
Verso nascia ligeiro,
Feito raio no cerrado.

Logo o povo se juntava
Pra ouvir a cantoria,
História de amor sofrido,
De saudade e valentia,
De injustiça e protesto
Que falava do dia a dia.

Naquele sertão pequeno
Viraram tradição,
Eram festa nas novenas,
Orgulho da região;
Dois heróis da poesia,
Dois menestréis do sertão.

Estendiam o chapéu
No meio da multidão,
E o povo agradecido
Ajudava com tostão;
Ganhavam respeito e fama
Pela força da canção.

As moças se enamoravam,
Queriam prender coração,
Mas violeiro é passarinho,
Não aceita gaiolão;
Nasceu foi pra estrada longa,
Pra viver de inspiração.

Hoje muitos seguem vivos
Nessa mesma tradição,
Levando ao mundo inteiro
A cultura do sertão:
Ser violeiro é ser livre
E cantar com o coração.