Dignidade Não Tem Preço
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Doutor,
O senhor é muito sabido,
porque teve a chance de estudar.
Seu pai era um grande barão,
homem rico, de posição,
que podia lhe sustentar
e lhe dar todo o necessário
sem precisar trabalhar.
Já eu não tive a mesma sorte,
que teve o senhor, doutor.
Meu pai era analfabeto,
homem simples, trabalhador.
Viveu do suor do seu rosto,
enfrentando o sol e a dor.
Era empregado do barão,
que pouco fazia questão
de ver alguém prosperar.
Queria o povo na roça,
de enxada firme na mão,
trabalhando para aumentar
a riqueza do patrão.
Mas existe uma coisa, doutor,
que dinheiro nenhum consegue comprar:
a dignidade de um homem,
que não se encontra em bazar.
Porque a fortuna é passageira,
pode um dia se acabar.
Eu mesmo já vi muita gente
que vivia a se gabar,
dona de terras e riquezas,
e hoje não tem onde morar.
Mas a dignidade verdadeira
o tempo não pode levar.
Mesmo no peito do pobre,
ela continua a brilhar.
Meu pai não tinha fazendas,
nem bens para ostentar.
Não possuía ouro nem prata,
nem luxo para mostrar.
Mas era um homem honrado,
de palavra e retidão.
E isso vale mais que riquezas,
mais que fama ou posição.
Pois o homem não se mede
pelo dinheiro que tem na mão,
mas pelo caráter que carrega
guardado no coração.