Consultor: Fadiga do eleitor em Floriano ameaça favorito do PT

Floriano já não perdoa: disputa federal reflete rejeição ao Congresso

O voto em Floriano para deputado federal é um poço de ironia em 2026. A cidade, que não esquece, mas já não perdoa, vai entregar seus 35 mil votos com uma dinâmica nova: o favorito do PT, Dr. Francisco, tem que se desdobrar para não ser "mais um em Brasília," enquanto o Progressistas, político de Brasília por excelência, está condenado ao fracasso. Se não tiver "chão político," o MDB, com Zé Santana, corre sério risco de ir parar no "rodapé da urna". A fatura do Congresso, enfim, chegou.

Análise exclusiva da coluna No Radar — conversa reservada com estrategista eleitoral de Teresina sobre as projeções locais e o impacto da rejeição ao Congresso.

Na conversa reservada com a coluna No Radar , um estrategista eleitoral de Teresina foi direto: “o eleitor de Floriano não esquece rápido, mas já não perdoa fácil” . A avaliação dele é que a cidade vai repetir a média histórica de 35 mil votos válidos para deputado federal, porém com dinâmica distinta da observada em 2018 e 2022. O fio condutor, segundo o consultor, será a relação ambígua entre a população e Brasília — e é nesse terreno movediço que os nomes terão de construir pontes reais.

Foto: Instagram
deputado federal Francisco Costa (PT)

Dr. Francisco (PT) surge como favorito natural, amparado pelos mais de 13 mil votos conquistados em 2022. O estrategista projeta que o médico tende a consolidar entre 14,5 mil e 15 mil votos , mas faz ressalvas: “o eleitor está com memória curta e saturado do Congresso. Francisco não pode parecer apenas mais um em Brasília; precisa reforçar a imagem de médico e articulador próximo da cidade”.

Georgiano Neto (PSD) é visto como a candidatura do crescimento surpresa . O consultor lembra que Georgiano pode transformar rede de prefeitos e discurso como alternativa ao PT em votos consistentes: se quebrar o gelo do desconhecimento em Floriano, pode superar 8 mil votos . O problema, porém, é a origem do desafio — no imaginário local o PSD ainda carece de rosto e capilaridade; disputar esse espaço exige trabalho cirúrgico na base.

Foto: Divulgação/Alepi
Georgiano Neto, deputado estadual pelo MDB.

Foto: Instagram
deputado federal Julio Arcoverde

O Progressistas entra fragilizado na leitura dos bastidores. Júlio Arcoverde carrega baixo recall e a etiqueta de “político de Brasília”, num momento em que o Congresso colhe rejeição recorde. Herdar parte da base de Margarete não assegura performance: a projeção realista o situa entre 4 e 5,5 mil votos . “Floriano tem memória do Progressistas, mas já não se empolga apenas com sobrenomes — é preciso renovar o discurso”, provoca o estrategista.

Foto: Instagram
deputado estadual Zé Santana

Por fim, o MDB com Zé Santana corre risco de figurar como peça secundária, com expectativa modesta de até 2,5 mil votos . A observação do consultor é direta: “em Floriano, ou você tem chão político ou acaba no rodapé da urna”. Ainda assim, a leitura geral é clara: Francisco segue favorito, mas 2026 não será passeio. A rejeição difusa ao Congresso pode embaralhar o tabuleiro e abrir espaço para surpresas — seja pela fadiga com o PT, seja pela apatia do eleitor com as marcas tradicionais.

Ponto-chave:

Os viradouros da eleição vão depender menos de slogans e mais de caminhada, articulação e acordos . Floriano é microcosmo estratégico no Piauí, mas a fatura final de 2026 se fecha com os votos distribuídos nos demais municípios.