Michelle Bolsonaro critica Lula por desfile com sátira a conservadores
Pesquisa revelou que 61,1% dos evangélicos consideraram o desfile ofensivo ou preconceituoso
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, filiada ao Partido Liberal (PL), manifestou-se contra uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionada à controvérsia envolvendo a alegoria "neoconservadores em conserva", apresentada pela Acadêmicos de Niterói durante o carnaval.
Questionado na Índia, Lula comentou que não esteve envolvido na criação do desfile, que apenas recebeu a homenagem. "Eu não sou carnavalesco. Eu não fiz o samba-enredo. Não cuidei dos carros alegóricos. Eu fui apenas homenageado em uma música maravilhosa", afirmou o presidente em entrevista coletiva em Nova Délhi.
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Lula destacou que o enredo prestava tributo à trajetória de sua mãe, e que sua participação era apenas aceitar a homenagem. "Foi uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe."
Michelle Bolsonaro usou o Instagram para criticar a postura de Lula: "Não pensa, não é o carnavalesco, não fez o samba-enredo, não cuidou dos carros alegóricos. Teve anuência da chacota e do escárnio e, mesmo assim, não se opôs. Ainda diz que foi extraordinário. Não adianta. As máscaras caem, a podridão é exposta e a verdade sempre prevalece”.
A alegoria "neoconservadores em conserva" representou a "família tradicional" — um casal heterossexual com filhos — em fantasias pela Marquês de Sapucaí, além de figuras simbolizando evangélicos, militares e mulheres brancas. A encenação gerou reações entre parlamentares e lideranças conservadoras, que criticaram a performance por supostamente ultrapassar o limite da sátira social e atingir a fé cristã.
O vice-presidente do PT, Washington Quaquá, também comentou que é essencial para quem pretende governar o Brasil "entender o Brasil real" e que o partido precisa dialogar com conservadores. Uma pesquisa do instituto Ideia revelou que 61,1% dos evangélicos consideraram o desfile ofensivo ou preconceituoso, enquanto 34,3% viram a ala como uma "ofensa à liberdade religiosa" e 26,8% como uma "representação preconceituosa".
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