Quando a Chuva Vem do Norte

Chuva que vem do norte
É chuva que vem ligeira;
Quando bate no telhado,
Escorre logo na biqueira.
Os bichos todos se animam,
Saem correndo na carreira;
A mulher pega potes e latas
Pra aparar água na biqueira.
O gado fica berrando,
O sabiá segue cantando,
E a seriema, toda faceira,
Arrepiando as penas
No alto da porteira.
O vaqueiro vai ao terreiro,
Todo encourado e ligeiro,
Aboiando, chamando o gado
Que vem descendo a ladeira.
Os meninos trazem o santo,
Erguendo a imagem com devoção;
A oração se faz em canto,
Misturando fé e gratidão.
É São José, santo da chuva,
Em quem o povo deposita a fé;
E banham o santo na água caída,
Gritando forte: "Viva São José!"
O sertão pode até padecer
De seca, fome e precisão,
Mas o sertanejo é forte
E não abandona seu torrão.
A fé alimenta o povo,
A esperança renova a coragem;
E segue firme essa gente forte,
Transformando luta em viagem.
Quando a chuva molha a terra,
O verde volta a florescer;
E o coração do sertanejo
Encontra razões pra viver.
Pois quem nasce nesse chão
Aprende cedo a resistir;
Carrega a força da esperança
E nunca deixa de sorrir.
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