Duas pessoas são mortas a tiros em assentamento do MST em SP

Polícia investiga o crime, que aconteceu na última sexta-feira (10).

A Polícia Federal investiga o assassinato de duas pessoas em um assentamento do MST no interior de São Paulo. Uma das vítimas era líder do movimento na região.

O crime foi na última sexta-feira (10), por volta das 23h30, no assentamento Olga Benario, em Tremembé (SP), 200 pessoas vivem legalmente no local, que tem 46 lotes regularizados pelo INCRA ha 20 anos.

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O lote onde aconteceu o crime estava desocupado à espera da finalização de um processo de transferência de posse. Segundo o MST, moradores estavam la para garantir que não houvesse invasão irregular.

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De acordo com testemunhas, 15 moradores do assentamento estavam nesta casa quando chegaram vários carros e motos na entrada do lote. Eles desceram para saber o que estava acontecendo. Dos veículos, saíram pessoas encapuzadas e atirando.

O líder do assentamento, Valdir Nascimento, de 52 anos, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 27, morreram na hora. Outros seis feridos foram levados para hospitais da região. O estado de saúde deles não foi informado.

O MST disse que a especulação imobiliária está aumentando muito na região e que há meses eram feitas ameaças de invasão no local, mas nenhum boletim de ocorrência foi registrado.

"Durante a semana eles tiveram aqui, roubaram a bomba do poço que é de uso coletivo de todo o assentamento, e aí a comunidade vendo isso acontecer, vieram ontem aqui no fim da tarde, vieram pra cá pra barrar isso, barrar esse roubo e barrar a invasão do lote”, comenta Altamiro Bastos, líder regional do MST.

O ministério do desenvolvimento agrário e agricultura familiar, emitiu uma nota de repúdio, disse que entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e também com a Polícia Federal para que acompanhem o caso.

Classificou o crime como bárbaro e manifestou solidariedade e apoio aos assentados. O Ministério da Justiça determinou que a Polícia Federal abra inquérito sobre o caso.

No fim da tarde, a Polícia Civil de São Paulo prendeu um suspeito de fora do assentamento. As buscas continuam; o delegado responsável pelo caso, disse que, por enquanto, as investigações levam para uma disputa pelo lote e descartam motivação contra o MST.

"Se desentenderam por uma questão local. Nenhuma relação com movimento social, nenhuma relação com a invasão ou defesa de posse de terra, absolutamente nada disso se relevou até o momento”, disse Marcos Ricardo Parra, delegado seccional de Taubaté (SP).

*Matéria retirada na íntegra do site g1.com

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