Arquivo Pessoal

Abdias Castro

Poeta e escritor natural de Canavieira (PI), residente em Floriano desde 2004, com 19 livros publicados. Membro do Coletivo Farol Literário, teólogo e capelão. Pai de Lorran, Lourrane e Luanna Castro.

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VERDADES SOBRE O CANGAÇO

Moradores de beira de estrada
Verdade Seja Dita
Verdade Seja Dita (Foto: gerado por IA)

O cangaço dos tempos de Lampião atingiu a marca de mais de 120 homens, e por isso o líder dividiu o bando em pequenos grupos de 8 a 12 homens, liderado por algum chefe apontado por Lampião ou Corisco. Eles passaram a ocupar muito mais espaço, e precisavam ter a confiança dos moradores de beira de estrada, vaqueiros e lavradores.

Por isso, quando chegavam numa casa, pediam pousada, água e comida, além de informações sobre a passagem de policiais pela região. Às vezes a dona da casa abatia todas as galinhas do terreiro para alimentar o bando. Um carneiro que estivesse sendo engordado para um casamento ou batizado na família, um capão para o bingo da igreja. Nada era poupado, na tentativa de agradar os "homens". Sendo bem atendidos, após o pouso o chefe recolhia ou mandava um cangaceiro recolher dinheiro da turma e entregava ao dono da casa como pagamento pela despesa. Iam embora e aquela casa recebia um selo simbólico de "aliada" do bando, que consistia numa senha. Assim, outro grupo que chegasse ali, poderia "ouvir a senha" do morador e não ser maltratado.

Esse tipo de coiteiro tinha grande importância na estratégia do cangaço, pois eram pessoas sem ambição e carentes de proteção. Ter o salvo conduto do movimento era algo de grande valia para eles. Aqueles que se recusavam eram barbaramente torturados e mortos. 

Estou escrevendo o 3º volume da trilogia A Era Lampiônica do Cangaço e o tema é CANGAÇO: Estratégias - Estética - Logística e Arte.

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