Delação de Mauro Cid pode ser anulada sob suspeita de mentira ao STF
Cid teria violado os termos do acordo ao manter atividades em redes sociais através de perfil falso.
A delação premiada firmada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-auxiliar do presidente Jair Bolsonaro, enfrenta sério risco de anulação devido a indícios de falsas declarações prestadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante um depoimento recente. As informações levantadas indicam que Cid teria violado os termos do acordo ao manter atividades em redes sociais por meio de um perfil falso, indo de encontro ao que afirmou perante o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo relatos da revista Veja, o tenente-coronel teria infringido as cláusulas do acordo ao utilizar redes sociais por meio do perfil @gabrielar702, supostamente operado por ele, divulgando informações sobre os bastidores de investigações, inclusive com comentários que contestavam versões anteriores dadas à Polícia Federal (PF) e críticas diretas a Moraes, a quem se referiu como "cão de ataque".
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Os prints das conversas indicam que os diálogos ocorreram entre janeiro e março de 2024, meses após a formalização do acordo de colaboração. Nas mensagens, o tenente-coronel demonstrava descrença em sua absolvição, chegando a mencionar que apenas uma intervenção do Congresso ou uma vitória de Donald Trump poderiam reverter seu quadro. Em um tom conspiratório, ele insinuava que os coronéis da PM do DF seriam condenados e que o STF estaria "comprometido".
Consequências da possível anulação
A eventual anulação da delação de Mauro Cid poderia expô-lo a uma pena similar à dos outros réus envolvidos na trama, com a possibilidade de uma condenação que ultrapassaria os 30 anos de prisão. O acordo estabelecido previa um perdão judicial ou uma pena inferior a dois anos, o que agora está em xeque.
O cenário descortina a necessidade de uma nova convocação do delator por Alexandre de Moraes, podendo resultar em uma nova detenção. Este episódio também fortalece os argumentos que questionam a legalidade do processo, intensificando os pedidos de nulidade. Embora o STF ainda não tenha sinalizado uma possível anulação da delação, a crise gerada fragiliza a base da acusação contra os envolvidos.
A defesa de Bolsonaro já havia solicitado a invalidação do acordo, alegando inconsistências e equívocos nas declarações de Cid. Agora, o caso reforça a percepção de que o delator agiu de forma maliciosa, comprometendo a integridade das investigações em curso.
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