Corpos de irmãs desaparecidas são encontrados na zona Norte de Teresina
Filhos das vítimas foram deixados em uma UBS e na casa de um parente

Os corpos encontrados podem ser das duas irmãs desaparecidas desde a última quarta-feira (13). Elas teriam saído de casa para um suposto encontro com criminosos de um grupo rival aos de seus companheiros, que estão presos. Uma delas levou a própria filha de 4 anos, que foi abandonada em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e pode ter testemunhado a tortura e morte da mãe.
As vítimas, que estavam vestidas de maneira semelhante às mulheres desaparecidas, foram enterradas uma sobre a outra na mesma cova rasa. É possível que tenham sido julgadas pelo chamado "Tribunal do Crime", um tipo de julgamento paralelo realizado por criminosos para punir infrações ao código de conduta do grupo.
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"Pela análise visual, é possível identificar que são mulheres. Preservamos o local do crime e estamos aguardando o Corpo de Bombeiros; agora é o trabalho da perícia. Tudo indica que são as duas garotas procuradas. Os corpos foram levados para análise no IML, onde serão apresentados às famílias, e será apurado o que causou a morte delas. Estavam enterrados um sobre o outro; um corpo se sobressaiu à terra, o que ajudou na localização. Com o apoio do Corpo de Bombeiros, conseguimos identificar outro corpo abaixo. Esse fato é um forte indicativo de que sejam as garotas", afirmou o delegado Bruno Ursulino.
O local onde os corpos foram encontrados é uma área de mata densa e de difícil acesso. Por volta das 11h, bombeiros militares retiraram os corpos da cova rasa. Ainda não há informações se as vítimas foram desovadas ou mortas no local.
"Essa região é conhecida pela alta periculosidade e pela forte presença de facções criminosas. É uma área extensa e difícil de acessar, onde já foram encontrados outros corpos anteriormente. Foram três dias de buscas até conseguirmos êxito hoje", disse o cabo Nonato, do Batalhão de Policiamento Especializado do Interior (Bepi).
ESTACA COM SANGUE
O delegado Bruno Ursulino informou que, aparentemente, os corpos não apresentavam marcas de tiros. Na área foi encontrada uma estaca de madeira com sangue, possivelmente utilizada em uma sessão de tortura pelo "Tribunal do Crime".
"Após a perícia, será confirmado se houve disparos ou não. O trabalho pericial permitirá determinar se realmente ocorreram tiros, quantificá-los e entender a trajetória. Elas podem ter sido submetidas a um julgamento diferente do nosso e recebido como punição a morte. A descoberta dos corpos é apenas o início para que os entes queridos tenham o direito de enterrá-las", concluiu o delegado.
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