STF discute sobre responsabilidade das redes sociais por conteúdos de usuários

Corte avalia constitucionalidade de norma do Marco Civil da Internet em novo julgamento
Corte discute constitucionalidade do Marco Civil da Internet e implicações para plataformas.
Corte discute constitucionalidade do Marco Civil da Internet e implicações para plataformas. (Foto: Reprodução/Freepik/Imagem ilustrativa)

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quinta-feira (28), o julgamento dos processos que discutem a responsabilidade das empresas de redes sociais sobre o conteúdo postado por seus usuários. O caso está sendo analisado com base na constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), que estabelece as normas para o uso da internet no Brasil. A principal questão do julgamento é se as plataformas devem ou não ser responsabilizadas diretamente por conteúdos considerados ilegais sem uma ordem judicial prévia.

Durante a primeira parte do julgamento, no dia anterior (27), os advogados das redes sociais apresentaram suas argumentações, defendendo a validade do Marco Civil da Internet, principalmente no que se refere à não responsabilização automática das plataformas por conteúdos postados pelos usuários. Eles argumentaram que a lei protege a liberdade de expressão e impede a censura. O julgamento se concentra no entendimento do STF sobre se o artigo que exige uma ordem judicial para que as plataformas retirem conteúdos ilegais é constitucional.
O STF está analisando quatro processos diferentes sobre o tema. Em um deles, relatado pelo ministro Dias Toffoli, o Tribunal discutirá a validade de uma decisão que condenou o Facebook a pagar danos morais por ter permitido a criação de um perfil falso de um usuário. Já no processo relatado pelo ministro Luiz Fux, a Corte questiona se empresas que hospedam sites devem ter a obrigação de monitorar e remover conteúdos ofensivos sem necessidade de uma ordem judicial. A discussão envolve o Google, que questiona essa exigência.
Outros dois processos estão sendo avaliados pelo STF. Um deles, relatado pelo ministro Edson Fachin, trata da legalidade de decisões judiciais que bloqueiam aplicativos como o WhatsApp, enquanto o último discute a suspensão de aplicativos em casos de descumprimento de decisões sobre investigações criminais. O julgamento deve trazer importantes desdobramentos sobre os direitos das plataformas e a proteção dos usuários na internet.