Relatório expõe monitoramento da "Abin paralela" em eleição do Vasco da Gama
Jorge Salgado, ex-presidente do clube, foi alvo de um intenso monitoramento durante o pleito.
O relatório recente divulgado pela Polícia Federal sobre a denominada "Abin paralela" trouxe à tona detalhes surpreendentes envolvendo a eleição para a presidência do Vasco da Gama em novembro de 2020. Segundo o documento, Jorge Salgado, ex-presidente do clube, foi alvo de um intenso monitoramento durante o pleito.
Um dos pontos mais marcantes do relatório foi a revelação de um pedido expresso para "caçar podre" do candidato à presidência do Vasco. Esse pedido inusitado foi registrado em um quadro-resumo das ações identificadas pelas investigações, que descreveu a prática como um "levantamento/dossiês" da campanha eleitoral.
Jorge Salgado, após ser monitorado, foi eleito e assumiu a presidência do Vasco da Gama por um mandato de três anos, encerrado em janeiro do ano passado. O relatório revelou reproduções de conversas de WhatsApp, onde um interlocutor, não identificado no documento, solicita ajuda para investigar a possível candidatura de Salgado.
No diálogo apresentado, o interlocutor menciona a demanda ao militar Giancarlo Gomes Rodrigues, cedido à Abin, pedindo para "caçar podre desse maluco aí". A resposta de Giancarlo indica que não encontrou muitas informações relevantes após a investigação: "Vasculhei bastante e não achei muita coisa não...".
Esse episódio específico revela a complexidade e a intensidade das estratégias e ações durante o processo eleitoral do Vasco da Gama, deixando em evidência os bastidores e as práticas questionáveis que permearam a disputa pela presidência do clube.
Como desdobramento dessa investigação, Giancarlo, juntamente com outras 35 pessoas, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito, evidenciando a seriedade e complexidade das ações ilegais ou antiéticas que ocorreram nos bastidores do cenário esportivo e político.