Operação policial contra torcida organizada do Palmeiras

Polícia cumpre mandados e realiza busca em sede de torcida do Palmeiras

Na manhã desta sexta-feira (1), agentes da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope), juntamente com promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realizaram ações de busca e apreensão na sede da Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras. A operação tem como alvo membros acusados de envolvimento em uma emboscada contra a Máfia Azul, torcida do Cruzeiro, na rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, que resultou na morte de um torcedor e deixou outros 17 feridos.

Jorge Luís Sampaio, presidente da organizada, e Felipe Matos dos Santos, conhecido como Fezinho, estão entre os principais alvos da operação. Os policiais estiveram na loja da Mancha Alviverde, situada na rua Palestra Itália, em frente ao Allianz Parque, um dos endereços considerados sede da torcida, onde realizaram buscas e apreenderam objetos relacionados à uniformizada, como bandeiras, camisetas e outros adereços.

Na tarde de quinta-feira, a Justiça emitiu seis mandados de prisão, porém até o momento nenhum dos procurados foi encontrado. Além da sede da torcida, os policiais também estão realizando buscas em outros nove endereços em São Paulo, Taboão da Serra e São José dos Campos. O foco das buscas são três veículos identificados na cena do crime, aparelhos eletrônicos, roupas e armas utilizadas no ataque ao ônibus da torcida do Cruzeiro.

Investigação e Provas

Os objetos apreendidos serão levados para a Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), sob a liderança do delegado César Saad. A delegada Fernanda Herbella, coordenadora da operação, destacou que o objetivo é prender os responsáveis pelo crime e reunir provas que auxiliem nas investigações em curso.

As prisões foram solicitadas após a identificação dos envolvidos por meio de imagens captadas por torcedores do Palmeiras e câmeras da Guarda Civil de Mairiporã. A Polícia confrontou essas imagens com informações do banco de dados da Drade, órgão responsável pela apuração do caso.

A emboscada resultou na morte de José Victor Miranda, de 30 anos, integrante da Máfia Azul do Cruzeiro, de Sete Lagoas (MG). Miranda foi hospitalizado em estado grave no Hospital Anjo Gabriel, em Mairiporã, devido a queimaduras, mas não resistiu. Ao todo, 17 pessoas ficaram feridas no ataque ao ônibus dos cruzeirenses, dois dos quais permanecem hospitalizados.

Contexto e Repercussão

Os confrontos são vistos como uma retaliação de palmeirenses a um incidente envolvendo membros da Mancha Alviverde em 2022, quando foram agredidos por torcedores do Cruzeiro na mesma rodovia. Tanto a torcida alviverde quanto a Máfia Azul se manifestaram sobre o ocorrido, com trocas de acusações e declarações nas redes sociais.

Os clubes envolvidos, Cruzeiro e Palmeiras, lamentaram o episódio de violência. A Mancha Alviverde, com mais de 45.000 associados, nega participação na emboscada e ressalta que não pode ser responsabilizada por ações isoladas de um pequeno grupo.

A Federação Paulista de Futebol (FPF), acatando recomendação do Ministério Público de São Paulo, proibiu a presença da Mancha Alviverde nos estádios do estado, como parte das medidas adotadas para coibir a violência no futebol.