Laudo aponta que baixos níveis de oxigênio causaram morte de peixes no Pará
Baixos níveis de oxigênio causam mortandade de peixes no rio Amazonas
A mortandade sem precedentes de peixes em uma região de várzea do rio Amazonas, no Pará, foi atribuída a baixos níveis de oxigênio na água, segundo laudo do núcleo de monitoramento hidrometeorológico da Semas (Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade). O documento foi divulgado na sexta-feira (29) após inspeção na área afetada.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Raul Protázio, e técnicos da secretaria visitaram a comunidade igarapé do Costa, impactada pela tragédia ambiental. A visita ocorreu um dia após a reportagem da Folha de S.Paulo que revelou a gravidade da situação e suas consequências para sete comunidades que abrigam 500 famílias.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) também anunciou medidas após a publicação da reportagem, incluindo o uso de um navio de pesquisa do ICMBio para coleta de dados biológicos.
O laudo aponta que o oxigênio dissolvido no canal de Aramanaí estava em apenas 0,15 mg/l, bem abaixo do mínimo recomendado de 5 mg/l. Esses níveis críticos indicam condições hipóxicas ou anóxicas, decorrentes da decomposição de matéria orgânica e da falta de circulação de água devido à seca prolongada.
Além dos peixes, a mortandade afetou jacarés, tartarugas e arraias. O cenário era alarmante: o acúmulo de matéria orgânica gerou um odor insuportável e uma nuvem de moscas. Um grande número de animais mortos flutuava na superfície da água.
Desde o dia 11, pescadores locais notaram a morte dos peixes, começando por espécies mais frágeis como pescada e cujuba. Com o tempo, peixes mais valiosos como surubim e pirarucu também sucumbiram. A comunidade teve que resgatar quelônios em estado crítico e transferi-los para poças ainda com água suficiente.
Atualmente, o igarapé do Costa se transformou em um filete d'água, assim como outros cursos d'água essenciais para a subsistência das famílias locais. Pescadores tentavam capturar os últimos peixes vivos enquanto lidavam com as consequências da mortandade.
A região enfrenta ainda uma densa fumaça devido a queimadas nas florestas próximas. A continuidade da seca sem chuvas está agravando essa situação crítica.