Endividamento das famílias brasileiras volta a subir em novembro

CNC aponta aumento de 77% no índice, impulsionado pelas compras de fim de ano.
A CNC projeta que o endividamento continuará crescendo em dezembro, impulsionado pelas compras de Natal
A CNC projeta que o endividamento continuará crescendo em dezembro, impulsionado pelas compras de Natal (Foto: Reprodução)

No mês de novembro, o endividamento familiar voltou a subir, atingindo 77% das famílias, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse aumento representa um ligeiro acréscimo em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a inadimplência estava em 76,6%.

Panorama do endividamento e inadimplência

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de novembro revelou que 29,4% das famílias possuíam dívidas em atraso, o que representa um incremento de 0,4% em comparação com novembro do ano anterior. Além disso, o número de indivíduos que relataram incapacidade de quitar suas dívidas passou de 12,5% para 12,9% no mesmo período.

Embora haja um crescimento no endividamento, o percentual de pessoas consideradas "muito endividadas" diminuiu para 15,2%, alcançando o menor nível desde novembro de 2021.

Análise econômica

O economista-chefe da CNC em exercício, Fabio Bentes, ressaltou a dificuldade das famílias em equilibrar seus orçamentos nos últimos meses, mesmo com bons indicadores no mercado de trabalho, como a taxa de desemprego abaixo de 6%.

Segundo Bentes, o aumento dos gastos familiares com serviços, especialmente os voltados para entretenimento, pode ser um dos fatores que contribuem para a pressão financeira sobre as famílias.

Projeções e tendências

A CNC estima que o endividamento continuará em ascensão em dezembro, impulsionado pelas despesas de Natal. No entanto, a inadimplência deve se manter estável, dada a adaptação das famílias ao cenário de taxas de juros elevadas.

Renda e endividamento

Entre as famílias com menor renda (até 3 salários mínimos), o índice de endividamento atingiu 81,1%, o mais alto dentre todas as faixas. Essas mesmas famílias apresentaram o maior percentual de inadimplência, com 37,5% relatando dívidas em atraso e 18,5% declarando incapacidade de quitar seus débitos.

Por outro lado, as famílias com renda superior a 10 salários mínimos reduziram seu endividamento para 66,7%, com apenas 14,6% em inadimplência e 5% sem condições de pagamento.

O comprometimento médio da renda com dívidas foi de 29,8% em novembro, com uma leve diminuição em relação a outubro. Além disso, o percentual de consumidores com mais da metade da renda comprometida caiu para 20,3%, o menor desde agosto de 2024.

Gestão financeira

A utilização de prazos mais longos para quitação de dívidas avançou, atingindo 35,9% das famílias endividadas, o maior nível desde dezembro de 2021. Essa mudança tem contribuído para a redução do tempo de atraso nos pagamentos, com queda para 49,6% no percentual de inadimplentes com mais de 90 dias de atraso.

Fabio Bentes ressalta a importância de uma gestão responsável do crédito para a recuperação do consumo e destaca o esforço das famílias em manter suas finanças equilibradas diante das adversidades econômicas.