Um mundo em versos
Pág. 12 | Revista Piauí Poético | ANO III - Nº 30 | Abril de 2025

Sobre os versos de um mundo
O livro faz jus ao título. Cantando sua aldeia sertaneja o poeta ganha o mundo e tudo que nele há, imortalizando seu sertão encantado em um mundo sem fim de versos. Mais uma vez constatamos que quem canta seu torrão canta a universalidade. Assim, o poeta dá vida a um eu-lírico repleto do que há no ser humano, desde as mais profundas raízes até o olho da flor que, espichando-se, busca o alimento solar. Assente-se ao coche e venha percorrer os versos que cantarão os corações apaixonados, seus amores, dores e prazeres da cultura romântica, neurótica, que apesar de todos os pesares sublima e verseja, o contrário também é válido. Em certos momentos o eu-lírico rompe a estrutura neurótica e atinge patamares de iluminação existencial, embora sua condição de ser no mundo – homem em seu contexto – o faça estar sempre envolvido nas idas e vindas dos circuitos que o constroem enquanto ser no mundo. É neste contexto que o cocheiro da poesia vos guiará por diversas temáticas, das características supracitadas às questões sobre proteção ambiental, posicionamentos filosóficos, espiritualidade e fé. Não poderia faltar o bucolismo da vida sertaneja e a eterna pulga atrás da orelha sobre a situação política e social. Viu só, acha pouco? Quando digo que o livro faz jus ao título é porque, como constatará na leitura, o poeta põe em versos o mundo e a humanidade, poetando seu versejar de homem do sertão em genuíno criar, poesia matuta que dá gosto de ver. Veja, passageiro da poesia, viandante da leitura, o poeta mostra que a vida é uma construção e que em sua escola há todo tipo de lição, desde a aprender com o silêncio a caminhar e cantar pelos círculos da vida. A cultura popular dá a base, a fé do poeta a sustentação – para a imortalidade, nem que seja na palavra – os imortais das letras – transformando pedras em poesia.
Daltro Paiva
Escritor, poeta, crítico literário e produtor cultural.