Trump ensina estratégia que a direita brasileira deveria seguir

Zelensky na Casa Branca com aliados europeus; Trump pressiona Putin por acordo de terras

É curioso como no Brasil tudo precisa de um “culpado oficial” para simplificar debates complexos. No tarifaço , parte aponta o dedo para Lula , outra para Bolsonaro e até para a família inteira. Como se o aumento viesse embrulhado com CPF e endereço de entrega, ignorando que crises internacionais , escolhas políticas mal calculadas e falta de estratégia se misturam nesse caldeirão.

Trump joga no campo político com a esperteza de quem sabe falar a duas plateias ao mesmo tempo: para sua base eleitoral, vende a imagem de protetor firme , que não abre mão da soberania americana ; já para o público mais amplo, posa de negociador pragmático que não quer “guerra eterna” nem gastos ilimitados. É o velho truque de falar grosso para dentro e negociar fino para fora.

Trump, ao negociar garantias de segurança com Zelensky , mostrou um recado que a direita brasileira deveria copiar: não existe almoço grátis , nem culpado único . Ao propor que a Europa divida a conta, ele tirou a capa de salvador solitário e se colocou como negociador pragmático . É essa lição que Tarcísio , Caiado , Zema ou Ratinho Jr. poderiam aplicar aqui: firmeza , mas sem pagar sozinho o pato.

Na direita brasileira, nomes como esses poderiam aprender com essa calibragem . Enquanto a extrema direita insiste na retórica do confronto permanente e na busca de inimigos internosSTF , imprensa , governadores —, eles podem se inspirar no modelo trumpista : mostrar firmeza sem delírio, pragmatismo sem parecer submissão. O eleitor já está cansado de bravata vazia , mas continua querendo alguém que fale duro quando necessário.

Enquanto parte da opinião pública prefere a novela de heróis e vilõesLula contra Bolsonaro , culpado A contra culpado B —, o eleitor cansado já percebeu que esse enredo só serve a quem lucra com a polarização . O recado é simples: quem quiser liderar de verdade precisa parar de procurar bodes expiatórios e começar a negociar soluções . Até Trump já entendeu isso.