Soneto das 18 horas

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Soneto das 18 horas
Soneto das 18 horas (Foto: Gerado por IA)

Soneto das 18 horas

Ao amigo Raimundo Soares

(In memoriam)

Blém, blém, blém, blém... bem longe chora o sino,

Em sons derrama as mágoas de meu ser,

Água lenta dos olhos a correr,

Deste manancial de meu destino.

.

Vejo o sol nascer desde pequenino

E se desloca para o anoitecer,

Mas nada muda aqui, dá pra antever

Cada corda quebrada do violino.

.

Ontem uma quebrou, partirá outra

Amanhã, sem vestígio algum de afouta,

Dilacerada minha alma arrefece...

.

Em cada amigo morto eu morro um pouco,

Enquanto o violino fica rouco

E o silêncio do nada recrudece.