Nosso tempo

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Nosso tempo
Nosso tempo (Foto: Gerado por IA)

Nesses tempos de risos pranteados,

De murmúrios roucos e lacônicos,

Sentimentos nos moldes faraônicos,

Mas não passam de motes falseados.

.

Nesses templos de seres profanados,

De presságios res, olhos daltônicos,

De vísceras e estômagos agônicos,

De acabamentos rotos, malfadados.

.

Nesses campos de sonsos espantalhos,

De ócios disfarsados de trabalhos,

Enquanto a gralha grasna alegres ais.

.

O silêncio tolhe a voz da trécula,

A ventania espalha a fina fécula

E os corações lotam hospitais.