No terreiro da fazenda

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No terreiro da fazenda
No terreiro da fazenda (Foto: Gerado por IA)

Em um terreiro bem varrido,
Juntamos uns amigos
E agarramos a prosear.

Relembramos de tudo,
Do nosso tempo de infância,
Das brincadeiras de criança
Que gostávamos de brincar.

Uns faziam alçapão, arapuca e baladeira,
Tudo pra passarinhar.
Outros, mais prendados,
Faziam cavalo de talo, carro de boi e curral.

Os bois eram de osso,
Tinha vacas e bezerros,
Os cachorros campeiros
Pra ajudar a vaquejar.

A prosa estava animada —
Trouxeram requeijão, coalhada e buchada,
E uma pinga pra animar.

Aí a prosa mudou de rumo,
Todo mundo se soltou.
Até os que já eram avô
Começaram a se revelar:

Apareceu aboiador, repentista e cantador,
E eu comecei a declamar.

Desembuchei tanto poema
Que fiquei até com pena
De quem estava a me escutar.

Mas pareciam estar gostando,
E a brincadeira animando...
E quando a lua foi clareando,
Peguei logo o violão,
Cantei uns xotes do sertão.

Quando ouvimos
O galo cantando,
O dia já vinha clareando...

E marcamos, pro próximo ano,
Outro encontro,
Dos amigos da região.