Mudança do tempo
None

— Mulher! Vem ver o redemoinho levantando graveto, fazendo poeira, varrendo o sertão!
Corre, mulher! Chama os meninos! Vêm todos para o terreiro — os pequenos se assustam: é o tempo em mutação.
O redemoinho passa, tudo se acalma. O ar esquenta, aparece um mormaço. O céu se fecha, escurece de repente... e então, ronca o trovão.
Fica tudo em silêncio. Um raio corta o céu e faz um clarão. Começa a chover! É a alegria de viver no sertão.
Maria corre, traz a bacia, a cuia, a cabaça, o pote, a tigela — e põe tudo pra aparar água da bica do oitão.
Aí, tudo se transforma. A lacraia sai da toca, o ovo espoca e o pinto nasce.
A siriema canta na capoeira. O menino conserta a baladeira, pega a capanga e sobe a ladeira, cata pedra pra defender os pintos do gavião.
O quero-quero chega em bando, logo procura um canto pra se esconder.
Cada casal faz seu ninho, e o macho fica vigiando até o filho nascer.
A natureza é bela e cheia de ensinamentos. Os bichos sabem mais do que a gente imagina — entendem tudo do tempo: sabem quando vai chover, quando vai fazer verão.
O sertão é uma escola — da vida, da sobrevivência, da fé.
Não há quem tenha mais fé que o povo do sertão.
Faz promessa pra São José, Santo Antônio, São Pedro e São João.
E é um povo animado: quando sai do roçado, vai logo dançar um baião.