Audiência adiada: PP e PT duelam de olho em 2026
Joab Curvina comenta adiamento da audiência sobre ação de fraude de gênero em Floriano.
Fora dos tribunais, os dias que antecederam a audiência — que seria realizada nesta quinta-feira (14) e acabou adiada para 28 de agosto — fizeram Floriano ferver nos bastidores da política . O motivo é simples: a depender do desfecho, a Câmara Municipal pode sofrer mudanças significativas em sua composição. Nesse vácuo, instalou-se uma disputa de narrativas, travada no campo da opinião pública, com o processo judicial servindo como pano de fundo, mas com a política ocupando o centro do palco.
Embora o processo corra em segredo de justiça, a entrevista concedida pelo vice-prefeito e presidente municipal do PP, Professor Joab Curvina , ao portal Piauí Notícia,na última sexta-feira,15, deixou evidente a estratégia partidária. De início, Joab fez questão de frisar que há duas frentes de questionamento contra a candidatura da suplente Chica Feitoza (PP): a primeira, uma AIRC movida pelo PT , já arquivada, e a segunda, uma AIJE apresentada por quatro suplentes de diferentes siglas (PT, PCdoB, PDT e MDB). O recado político do dirigente é claro: o PP se coloca como alvo de uma “orquestração de adversários”, sugerindo que a ação tem menos de jurídico e mais de articulação para fragilizar o partido localmente.
Outro ponto marcante da fala foi a crítica de Joab às comemorações antecipadas dos suplentes, que teriam propagado datas e “fatos arrrolados” da ação em grupos de WhatsApp. Na visão dele, trata-se de uma estratégia para moldar a opinião pública antes mesmo de qualquer decisão judicial. Ou seja, o PP tenta se blindar narrativamente: caso haja avanço da ação, a culpa estaria no “uso político da justiça” pelos adversários.
No tema mais sensível — os R$ 120 mil do Fundo Partidário recebidos por Chica Feitoza — Joab não se deteve em justificativas jurídicas, mas reforçou que a quantia seguiu o critério da cota de gênero e que a prestação de contas foi aprovada. Politicamente, o gesto é significativo: o PP não se limita a defender uma candidata, mas busca proteger a própria lógica de sua atuação partidária, preservando a imagem de que cumpre regras eleitorais e de financiamento.
Do outro lado, o PT e seus aliados também atuam no campo da narrativa. Ao propagar a ideia de que o processo já estaria “encaminhado” e ao celebrar antecipadamente, buscam criar um clima de vitória inevitável , passando para sua militância uma mensagem de força e confiança. Na prática, tanto PP quanto PT apostam em estratégias semelhantes: manter suas bases mobilizadas e conquistar a opinião pública , ainda que a decisão final pertença apenas à Justiça.
Esse embate, no entanto, não se limita a 2024. A disputa em torno da audiência já está contaminada pela eleição de 2026 , funcionando como um ensaio político para medir forças entre os dois blocos. Cada lado usa o episódio para testar sua capacidade de mobilizar militâncias e atrair lideranças locais , transformando um processo jurídico em laboratório eleitoral antecipado.
Em síntese, a entrevista de Joab não foi apenas uma defesa circunstancial, mas a tentativa de construir um escudo político para o PP em Floriano . Ao mesmo tempo, PT e aliados tentam capitalizar o desgaste para impor a narrativa de que já venceram no tribunal da política. Nesse jogo, mais que a sorte de uma suplente, o que está em disputa é a narrativa de credibilidade e solidez partidária na cidade — e, em segundo plano, a preparação para a próxima grande batalha: 2026 .