ARQUITETURA DA OBSCURIDÃO HUMANA

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ARQUITETURA DA OBSCURIDÃO HUMANA
ARQUITETURA DA OBSCURIDÃO HUMANA (Foto: Gerado por IA)

ARQUITETURA DA OBSCURIDÃO HUMANA.

JOSÉ OSÓRIO FILHO

Eis um animal que pensa, mas não sente, porque não possui sensibilidade. Ergue catedrais sobre a ignorância de um indigente. Assina tratados com a mão que tortura e batiza de "progresso" a própria loucura. Cospe no rio que lhe sacia a sede e tece o arame que o prende no dinheiro.

Caminha soberbo, achando-se superior, senhor de uma razão oca, com o bolso farto e a mentira na boca. Ergue fronteiras nos muros e muralhas, faz da paz o descanso entre uma e outra batalha. Domesticou o fogo, mas arde no próprio frio, um gigante de barro por dentro de um vazio.

O ser humano rói sua própria raiz! Destrói o mundo e faz os outros infelizes; teu império é de plástico, tua glória é fugaz, és um mestre absoluto em desfazer a paz e tornar os outros infelizes. Súplica ao divino enquanto pisa no irmão e banha no sangue de tua própria omissão.

Protesto contra o espelho, o ego e o metal; é indiferente e se acha normal. Mas, antes que a terra os expurgue de vez, despertem do sono da sua estupidez. Pois, no fim da jornada, nada resta para os humanos, porque eles são os venenos de suas próprias almas e os filhotes de um belzebu em estágio de decomposição.