Viúva relata impacto emocional das mortes no desastre do submarino Titan

Ela descreve o luto pela perda do marido, Shahzada Dawood, e do filho Suleman Dawood, de 19 anos.

Quase três anos após a tragédia do submersível Titan, que causou a morte de cinco pessoas durante uma expedição aos destroços do Titanic, Christine Dawood compartilha sua dolorosa experiência em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, concedida no último sábado (25). Ela descreve o luto pela perda do marido, Shahzada Dawood, e do filho Suleman Dawood, de 19 anos, revelando detalhes sobre como recebeu os restos mortais de ambos. As informações são do O Globo.

“Recebemos os corpos apenas nove meses depois. E, quando digo corpos, refiro-me à lama que sobrou. Eles chegaram em duas caixas pequenas, semelhantes a caixas de sapato”, revelou Christine na entrevista, destacando o forte impacto emocional da tragédia ocorrida em 18 de junho de 2023. Na ocasião, o Titan implodiu a cerca de 500 metros acima dos destroços do Titanic, no Atlântico Norte, durante uma tentativa de mergulho a quase 4 mil metros de profundidade.

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Além de Shahzada e Suleman, o acidente vitimou o CEO da OceanGate, Stockton Rush, o empresário britânico Hamish Harding e o explorador francês Paul-Henri Nargeolet, conhecido como “Sr. Titanic”.

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Christine relatou que os restos mortais recuperados passaram por um extenso processo de separação e testes de DNA realizados pela Guarda Costeira dos Estados Unidos. Ela foi informada sobre a existência de uma grande quantidade de material biológico misturado, difícil de ser separado adequadamente.

Em sua conversa com o The Guardian, Christine mencionou o momento em que soube que a implosão havia sido instantânea, o que a aliviou por saber que os passageiros provavelmente não sofreram. “Meu primeiro pensamento foi: graças a Deus. Quando disseram que era catastrófico, eu sabia que Shahzada e Suleman nem sequer sabiam o que estava acontecendo”, comentou.

Durante os dias de buscas, Christine enfrentou momentos de angústia a bordo do navio Polar Prince, enquanto lidava com informações desencontradas e a esperança de que o submersível estivesse apenas preso no fundo do mar. Ela descreveu a atmosfera a bordo como de completa negação, com a tripulação agindo como se nada de grave estivesse ocorrendo.

A entrevista também trouxe à tona críticas à condução da expedição e ao comportamento de Stockton Rush. Christine revelou que a família não estava ciente dos problemas técnicos do Titan, nem que o submersível operava sem certificação de segurança. Ela confiou na OceanGate e na agência de luxo Quintessentially, que organizou a experiência exclusiva, cujo custo foi de US$ 500 mil por dois lugares.

Uma investigação da Guarda Costeira dos EUA concluiu que a tragédia era evitável, provocada por falhas de engenharia e pela negligência de Rush em relação à segurança. Apesar disso, Christine escolheu não cultivar ressentimento. “Eu tinha muitos motivos para odiar Stockton, mas isso realmente me ajuda? Ele morreu com eles. Se eu ficar com raiva dele, estarei lhe dando poder, e me recuso a fazer isso”, afirmou.

Christine escreveu um livro sobre sua experiência e planeja criar um centro de apoio para pessoas em luto e trauma. Mantém o quarto de Suleman e o escritório do marido intactos, enfrentando a ausência com resiliência. “Aprendi a dar atenção ao luto. Vou ao quarto de Suleman, às vezes encontro o gato dormindo no travesseiro dele e me sento na cama e deixo o luto vir”, compartilhou.

Ao final da entrevista, Christine mencionou uma das dificuldades diárias desde a tragédia: responder perguntas sobre os filhos. "Eu tenho dois filhos, mas… se eu disser isso, eles perguntam. Então agora eu evito. Eu só digo que tenho uma filha. Não estou mentindo, mas é o que eu escolho dizer”, concluiu.

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