Secretária dá ultimato: “Fogo é crime e quem insiste está sendo punido"
Em Floriano, secretária dá ultimato: “Fogo é crime e quem insiste está sendo punido com rigor
A escalada das queimadas no estado expõe o que há de mais perigoso: o fogo criminoso travestido de “tradição” e a seca verde, uma armadilha ambiental silenciosa que já afeta lavouras, pastagens e vidas humanas. Enquanto isso, criminosos urbanos e caçadores rurais seguem agindo na sombra da impunidade.
Mas a paciência das autoridades ambientais acabou.
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“Quem ainda insiste em usar fogo para limpar terreno, caçar ou abrir roçado está cometendo crime ambiental — e está sendo identificado, notificado e multado. Isso não é apenas uma exigência da lei, é uma medida de proteção à vida, à saúde pública e à segurança das famílias que vivem próximas dessas áreas”, afirmou com firmeza a secretária de Meio Ambiente de Floriano, Haila Leana Cury-Rad Oka.
⚖️ O uso do fogo é crime!
Chega de desculpas folclóricas: atear fogo em vegetação, mesmo na sua própria terra, sem autorização técnica, é crime. Veja o que diz a legislação:
- Lei Federal nº 14.944/2024: permite uso do fogo apenas com licença e plano técnico.
- Lei 9.605/98 (Crimes Ambientais): prevê multa e cadeia para quem provoca incêndios.
- Lei Estadual nº 7.643/2021 (Piauí): proíbe fogos de artifício e qualquer queimada sem autorização.
- Decreto 15.513/2014: veta uso de fogo durante o período seco.
- Lei Municipal nº 1.627/2015 (Floriano): veta o fogo na zona urbana e rural.
- Foto: Instagram Prefeitura de Floriano PI
O Departamento de Fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente de Floriano
? A seca verde é verde só por fora — e explode com qualquer faísca
A vegetação pode até parecer viva. Mas o solo está seco, o ar tem umidade mínima, e qualquer bituca de cigarro vira incêndio. Esse é o retrato da seca verde.
“É um engano perigoso. A vegetação pode até parecer verde por fora, mas por dentro está seca como palha e altamente inflamável. Esse fenômeno, chamado de ‘seca verde’, ocorre quando há baixa umidade no solo e no ar, fazendo com que até plantas com aparência viva funcionem como combustível para o fogo. O risco de incêndio se torna invisível — e, por isso, ainda mais letal”, alertou a secretária municipal.
Em 2023, o Piauí registrou quase 13 mil focos de incêndio. E a previsão para 2025, com a umidade abaixo de 20% em muitas regiões, é de aumento expressivo de queimadas, segundo análises técnicas locais.
? Fiscalização firme e denúncia anônima liberada
A SEMAN (Secretaria de Meio Ambiente) já reforçou a fiscalização com rondas policiais e operações conjuntas com a PM e a Defesa Civil. E o recado é claro: denunciar é um ato de cidadania.
? Denúncias anônimas podem ser feitas por:
- WhatsApp da Ouvidoria: (89) 99448-2590
- E-mail: [email protected]
- Corpo de Bombeiros: (89) 3521-2807
“Não precisa se identificar. O importante é agir. Denuncie o vizinho, o caçador. Fogo não é método, é crime”, enfatizou a secretária Haila.
? Quando a fumaça vira palanque, o debate se perde e a tragédia vira discurso vazio
“Queimar vegetação é crime. Oportunismo com causa ambiental também. A diferença é que o primeiro pega fogo; o segundo, pega mal. É fácil fazer vídeo apontando falhas. Difícil é arregaçar as mangas e ajudar a conscientizar nas escolas, nas comunidades, onde o fogo nasce. É ali que a política verdadeira começa”, alfinetou a secretária da SEMAN.
? Educação, não fogo: essa é a cultura que queremos
A SEMAN vem promovendo ações educativas em escolas, igrejas e comunidades rurais. O propósito é claro: cultivar uma consciência que proteja o presente e não incendeie o futuro.
“A SEMAN intensificou ações educativas em escolas, igrejas e eventos rurais. O objetivo é semear conhecimento para que, amanhã, não colhamos cinzas no lugar de futuro”, concluiu a secretária.
Ela destacou ainda que, mesmo com apenas dois fiscais, o trabalho de campo tem sido contínuo, com capacitação de aceiros em comunidades rurais. Segundo Haila, o prefeito Antônio Reis tem sido sensível à gravidade da situação e já trabalha para ampliar o número de agentes. As brigadas de incêndio, embora sejam de grande ajuda, atuam apenas nos meses críticos e, atualmente, cobrem apenas quatro assentamentos — o que exige um esforço redobrado das equipes locais.
A secretária também ressaltou a parceria constante com o Ministério Público e informou que já foram distribuídas mais de 4 mil mudas nativas como parte do esforço de recuperação e prevenção ambiental.
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