Psicóloga Marta Mariana esclarece informações e desmistifica o autismo
"O autismo não é uma doença", enfatiza, "mas uma forma diferente de o cérebro funcionar".
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que, apesar de estar sendo discutida com mais frequência, ainda gera muitas dúvidas e preconceitos. Para esclarecer aspectos importantes sobre o autismo, conversamos com a psicóloga clínica Marta Mariana Pereira Araújo Barros, de 25 anos. Ela atende o público infanto-juvenil, tem formação de acompanhante terapeutica (AT) e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental. Residente em Teresina (PI), ela compartilhou seus conhecimentos e reflexões sobre a condição, abordando desde os sinais precoces até as melhores formas de inclusão social.
Marta explica que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta áreas sociais, emocionais, cognitivas e motoras, o que significa que ele interfere na forma como a pessoa se comunica, se relaciona com os outros e percebe o mundo ao seu redor. "O autismo não é uma doença", enfatiza, "mas uma forma diferente de o cérebro funcionar".
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Ela destaca que cada pessoa com autismo é única, com características que podem variar bastante, como dificuldades na comunicação, na interação social e na compreensão do ambiente. "Essas diferenças precisam ser respeitadas, e as pessoas autistas merecem compreensão, apoio e estratégias adequadas para seu desenvolvimento", afirma.
Sobre os sinais do autismo nos primeiros anos de vida, Marta esclarece que não existem padrões rígidos, já que cada pessoa com autismo apresenta um quadro particular. No entanto, ela aponta alguns sinais que costumam ser comuns:

"Esses sinais são indicadores importantes para um diagnóstico precoce, que pode fazer toda a diferença no desenvolvimento da criança", observa.
A psicóloga também aproveita a oportunidade para desmistificar a antiga teoria da "mãe geladeira", que associava o autismo à falta de afeto materno.
“O mito da mãe geladeira é uma teoria antiga e totalmente ultrapassada que atribuía o autismo à frieza emocional das mães. A teoria da “Mãe Geladeira” fez com que muitas mães sentissem uma culpa excessiva e injusta pelo desenvolvimento atípico de seus pequenos!”
O diagnóstico precoce, segundo Marta, é fundamental, pois permite que as intervenções adequadas sejam iniciadas rapidamente, o que favorece o desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas e emocionais da criança. "Quanto mais cedo identificamos o autismo, mais chances temos de promover um desenvolvimento saudável e pleno", afirma, ressaltando que isso pode ajudar a criança a aprender a se comunicar, interagir com os outros e lidar com seus sentimentos.
A psicóloga também fala sobre os desafios que as pessoas com autismo enfrentam no que diz respeito à percepção social e emocional.
“Pessoas com autismo podem ter dificuldade em interpretar expressões faciais, gestos, tom de voz e linguagem corporal. Isso pode tornar mais difícil entender o que os outros estão sentindo ou pensando. Podem ter dificuldade em expressar suas emoções e o que estão sentindo com clareza. Pode haver desafios para iniciar ou manter conversas, compartilhar interesses ou fazer amigos, o que pode levar ao isolamento social.”
Para lidar com essas questões, Marta enfatiza a importância de abordagens terapêuticas individualizadas, que podem envolver a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicopedagogia. "Essas terapias são fundamentais para ajudar a pessoa autista a desenvolver suas habilidades sociais, comunicativas e emocionais", observa ela.
A psicoterapia também desempenha um papel importante, não apenas para as crianças, mas também para adolescentes e adultos autistas. Marta explica que a psicoterapia ajuda a identificar, nomear e regular as emoções, desenvolvendo habilidades sociais, como empatia e resolução de conflitos. "Além disso, a psicoterapia pode ajudar a lidar com quadros de ansiedade e depressão, que são comuns em adolescentes e adultos autistas", completa.
Entre os maiores desafios enfrentados pelas pessoas com autismo na sociedade, Marta aponta a falta de inclusão e acessibilidade, o preconceito e a estigmatização, e a dificuldade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. Ela também destaca as dificuldades que muitas pessoas autistas encontram na escolarização e no mercado de trabalho.
“Na escola o primeiro passo é capacitar profissionais para entender o autismo, adaptar atividades e lidar com diferentes formas de comunicação e comportamento. Adaptações curriculares e metodológicas: Flexibilizar conteúdos, tempo de prova, formas de avaliação e promover o ensino por meio de recursos visuais, rotina estruturada e apoio individualizado. Também é preciso acompanhamento especializado na escola, disponibilizar profissionais como psicólogos, psicopedagogos, acompanhantes terapêuticos ,etc. É necessário trabalhar o respeito à diversidade com os alunos desde cedo, criando um ambiente acolhedor e seguro para todos. Comunicação com a família mantendo uma parceria ativa com os responsáveis, alinhando estratégias e garantindo apoio.”
Falando sobre os aspectos positivos de ser autista, Marta observa que as pessoas com autismo frequentemente têm uma forma única e detalhista de ver o mundo. "Muitas delas são extremamente dedicadas aos seus interesses, conseguem se concentrar por longos períodos em um tema e se tornam especialistas nesse assunto", explica. Esse "hiperfoco", como é conhecido, pode levar a um aprendizado profundo e rápido, especialmente em áreas como matemática, tecnologia, música e arte. Além disso, ela ressalta que, quando estabelecem vínculos, as pessoas autistas são extremamente leais e comprometidas.
Para as famílias que acabam de receber o diagnóstico de autismo em um filho, Marta oferece palavras de encorajamento. "É natural sentir medo ou insegurança, mas com o tempo, você perceberá que seu filho continua sendo a pessoa única que sempre foi, com seu jeito próprio de ver, sentir e interagir com o mundo", diz. Ela aconselha as famílias a buscar apoio, orientação e informação de fontes confiáveis e a se conectar com grupos de apoio, onde poderão compartilhar experiências com outras famílias que enfrentam os mesmos desafios.
Por fim, Marta deixa um importante conselho para os profissionais da saúde e da educação: capacitar-se é fundamental. "Entender o autismo em suas diversas formas, necessidades e características é o primeiro passo para oferecer um atendimento acolhedor e respeitoso", afirma. Para ela, essa compreensão não se limita à informação técnica, mas envolve também o desenvolvimento de sensibilidade e empatia.
Em suas palavras, fica claro que o autismo é uma condição desafiadora, mas que, com apoio e compreensão adequados, as pessoas autistas podem desenvolver seu potencial, contribuir para a sociedade e viver de forma plena e feliz.
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