Presidente da Os Caipiras comemora título e fala sobre desfile deste ano

Escola de samba homenageou Esperança Garcia, escrava que se tornou um símbolo da história.
Os Caipiras desfilaram contando a história de Esperança Garcia.
Os Caipiras desfilaram contando a história de Esperança Garcia. (Foto: Divulgação/Os Caipiras)

O carnaval 2025 chegou ao fim, e em Floriano (PI), novamente, a grande campeã foi a escola “Os Caipiras”.O grupo trouxe em seu samba-enredo a história da escrava negra Esperança Garcia, que foi a primeira mulher a escrever um documento formal que pedia a sua liberdade.

O desfile foi realizado na última terça-feira (04), na Avenida Getúlio Vargas, tradicional Corredor da Folia de Floriano. Em 2025, Os Caipiras se apresentaram com mais de 120 pessoas. No barracão da escola sempre haviam de 10 a 15 pessoas envolvidas no trabalho, ajudando na preparação para o desfile.

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Ao Rota 343, o presidente da Os Caipiras, Jodelwillton Carvalho Amorim comentou sobre o desfile e comemorou a escolha do samba-enredo.

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“A gente vem sendo muito felizes com nossas escolhas, a escola está mostrando o que o samba-enredo fala e esse é o nosso diferencial. Você pode pegar da comissão de frente até o último carro alegórico e cantar o samba, e tudo que o samba fala a gente mostra na avenida, então esse está sendo nosso diferencial.”

Para contar a história de Esperança Garcia, os integrantes da escola de samba precisaram ir em busca de conhecimento, para conseguir retratar com perfeição a vida da escrava que entrou para a história brasileira.

“A gente foi bem fundo, atrás de pessoas que já vivem a história de Esperança Garcia há muito tempo. Nós fizemos um estudo, fizemos pesquisas com muitas pessoas que vivem ali próximo a comunidade, que estudam a história de Esperança Garcia, e foi isso que mostramos na avenida. Ela é uma história muito marcante, muitas pessoas se emocionaram porque é uma temática que mexe com vários tipos de realidade das nossas vidas.”

A dedicação dos integrantes da Os Caipiras rendeu para a escola de samba mais um título do carnaval de Floriano. O presidente, conhecido como Pinto Amorim da Caixa d’água, falou sobre a vitória, que é a quarta com ele a frente da escola.

“A sensação de ser campeão do carnaval de Floriano é maravilhosa. É gratificante, é resultado do trabalho de esforço. Ali ninguém sabia o que é dormir, o que é se alimentar, pois você deixa de viver sua vida pra viver a vida da escola de samba. A sensação de ser campeão pra quem vive carnaval a vida toda é maravilhosa, é sensação de dever cumprido, de que a gente fez um trabalho perfeito.”

Apesar de estar à frente da escola desde 2015 e ser o principal responsável por manter vivo o legado da Os Caipiras, que foi fundada em 1976, Jodelwillton destaca que o trabalho coletivo é essencial para o sucesso.

“Uma pessoa só não faz a escola de samba, são todos eles. O título não é só de uma pessoa, é de todos aqueles que participaram, e estão todos de parabéns. A gente vê que o trabalho está dando certo, a gente plantou e estamos colhendo frutos bons.”

“Para Floriano, para o Piauí, é maravilhoso a gente fazer carnaval. Eu sou presidente da escola Os Caipiras desde 2015, estou levando o legado que é do meu sogro, senhor Cícero Fernandes, que foi quem fundou a escola em 1976, deixou esse legado e está até hoje. A gente vai passar de geração em geração. Nosso intuito é de que, enquanto tivermos força, coragem e vida, não vamos deixar nunca esse legado acabar.”

Quem foi Esperança Garcia

Esperança Garcia foi uma mulher negra e escravizada no Brasil colonial, que ficou conhecida por sua atuação de resistência e pela carta que escreveu em 1770, considerada um marco histórico. Ela era uma escravizada no estado do Piauí e, em um ato de coragem, escreveu uma carta ao então governador do Piauí, solicitando a sua liberdade e denunciando os abusos e maus-tratos sofridos por ela e por outros escravizados.

A carta de Esperança Garcia é importante porque é uma das primeiras manifestações escravas registradas por escrito, e sua luta por liberdade e dignidade tornou-se um símbolo de resistência ao regime de escravidão. No texto, ela expressa seu desejo de liberdade e o sofrimento causado pela condição de escravizada, além de destacar a injustiça e crueldade que vivenciava.

Essa carta é um dos poucos documentos conhecidos de escravizados que chegaram até nós e foi uma das poucas fontes documentais da época que dão voz a esses indivíduos, tornando-se uma peça significativa na história da luta pela liberdade no Brasil.

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