Pesquisa da UFPI cria pasta de abacate para dieta cetogênica
Dieta tem alto consumo de gorduras, moderado de proteínas e restrição severa de carboidratos.

Uma pesquisa inovadora realizada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) está trazendo novidades para quem segue a dieta cetogênica. Sob a orientação da professora Amanda de Castro Amorim Serpa Brandão, a doutoranda Marilene Magalhães de Brito desenvolveu duas formulações de uma pasta nutritiva à base de abacate, pensada especialmente para esse público.
A dieta cetogênica caracteriza-se por um alto consumo de gorduras, moderado de proteínas e restrição severa de carboidratos. Indicações para essa dieta incluem condições como epilepsia refratária, diabetes tipo 2, obesidade e algumas doenças neurodegenerativas. No entanto, a falta de produtos industrializados que cumpram suas exigências é um desafio para os adeptos dessa dieta.
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Focando na lacuna do mercado, o estudo utilizou o abacate (Persea americana Mill.), conhecido por seus ácidos graxos monoinsaturados, fibras e compostos bioativos. O objetivo foi criar um produto duradouro, conveniente e rico em nutrientes para atender às necessidades da dieta cetogênica e superar a perecibilidade típica do abacate fresco.
As formulações desenvolvidas incluem a F1, com leite e óleo de coco, e a F2, que acrescenta cacau 100%. Ambas mostraram altos teores de lipídios e baixos níveis de carboidratos, essenciais para a dieta cetogênica. A formulação F2, com cacau, destacou-se pela presença de minerais fundamentais como cálcio, magnésio, ferro, potássio, manganês e zinco.
Marilene Magalhães de Brito explica que a ideia surgiu de uma conversa com a nutricionista Andressa Cavalcante, que trabalha com dieta cetogênica para crianças com problemas neurológicos. A partir desse diálogo, surgiu a necessidade de desenvolver um produto adequado, especialmente para crianças com dificuldades de deglutição e necessidades específicas de textura e composição.
A segurança alimentar foi uma prioridade, com as análises microbiológicas confirmando a conformidade das formulações com a legislação vigente. Além disso, a pesquisa incluiu uma análise sensorial com voluntários adultos, onde ambas as pastas foram bem aceitas, com a F2 recebendo destaque em aceitação, preferência e intenção de compra.
O estudo conclui que as pastas de abacate criadas são alternativas seguras, nutricionalmente adequadas e sensorialmente agradáveis para a dieta cetogênica. Esses resultados apontam para novas possibilidades na indústria alimentícia, promovendo maior diversidade e adesão a dietas restritivas, contribuindo para a qualidade de vida dos pacientes.
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