Moda com afeto: como Emanuelly Sampaio une estilo e maternidade
Designer revela como ser mãe mudou sua forma de vestir e viver

Eu renasci com a maternidade.” É assim, com uma frase que carrega força e sensibilidade, que a designer de moda Emanuelly Sampaio, de 29 anos, define a chegada de Abraão, seu primeiro filho. De Teresina, ela tem transformado sua vivência como mãe em inspiração para criar uma moda mais real, confortável e afetiva.

Desde pequena, Emanuelly Sampaio conviveu com tecidos, linhas e a força silenciosa do trabalho manual. Crescer entre moldes e máquinas de costura foi também crescer observando a dedicação da mãe, costureira, que sustentou a família com o ofício. Esse ambiente moldou não só sua relação com a moda, mas sua identidade criativa.
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“Desde a infância, eu sempre vi minha mãe sendo costureira. Na verdade, durante muitos anos da nossa vida, ela manteve a nossa família costurando roupas…”
A vivência doméstica se transformou em escolha profissional. Aos 15 anos, Emanuelly ingressou no curso técnico de confecção do vestuário no IFPI, onde mergulhou na parte técnica da moda. Mais tarde, seguiu para a UFPI e se formou em Design e Estilismo. Ao longo da carreira, buscou se especializar em estilo, imagem e autocuidado. Sua trajetória é construída com estudo, intuição e sensibilidade.
No seu processo criativo, Emanuelly não se apega a ícones fixos da moda. Seu laboratório são as mulheres reais, plurais, com suas subjetividades, cores e formas de existir no mundo.

“Eu me inspiro nas mulheres. Eu amo essa coisa de ser mulher, amo a diversidade de personalidade, de estilo, de beleza que nós temos no mundo…”
Seu estilo pessoal reflete isso. Emanuelly busca traduzir em roupas aquilo que sente internamente. O conforto, a autenticidade e a liberdade de ser quem se é são os pilares da sua forma de vestir.
“Meu estilo pessoal é isso: uma mulher criativa, uma mulher livre, que gosta de conforto e gosta de se vestir como gosta, como sente, como acha bonito.”

E ao falar sobre o essencial em seu guarda-roupa, a designer surpreende com uma resposta que revela sua atenção à base, ao que sustenta.
“Uma boa calcinha. Assim, uma calcinha que realmente sustente seu corpo, sabe, que te modele, que te dê uma base confortável, bonita…”

Hoje, ela celebra uma tendência que antes era marginalizada: os maxi acessórios. Peças grandes, expressivas, que comunicam força, estilo e presença.
“Por muito tempo parecia exagero… e a gente chegou num momento onde o Maxi tá super em alta… chegou o momento que eu amo.”
A moda, para Emanuelly, não é sobre julgar o que é “feio” ou “bonito”, mas sobre adequação e identidade.
“Às vezes é feia para mim, mas para outra pessoa que sustente aquela tendência vai ficar maravilhoso.”
Mas nem tudo na moda é glamour. Emanuelly também enfrentou desafios ao tentar ultrapassar a superficialidade do mercado, onde contatos muitas vezes falam mais alto do que o conhecimento.
“O maior desafio… é conseguir construir esse espaço independente de network, mas fazer com que o meu trabalho fosse visto…”
Foi em meio à pandemia que a maternidade chegou para Emanuelly. Um sonho, mas também uma surpresa. E como tudo em sua vida, a moda também foi atravessada por essa experiência.
“A maternidade foi uma descoberta surpreendente… Foi uma gravidez inteira dentro de casa, né? por conta da pandemia… Mas foi maravilhoso, foi incrível.”
Um dos momentos mais marcantes da gestação foi quando começou a sentir o bebê se mexer. Emanuelly compartilha como, mesmo com dificuldades por conta do sobrepeso, essa experiência foi transformadora.
“Acho que o momento mais marcante foi começar a sentir meu filho mexendo… foi algo muito especial.”
Ser mãe trouxe aprendizados diários. O maior desafio, segundo ela, foi desenvolver a disciplina que a maternidade exige — algo diferente de sua personalidade livre.
“Criança precisa de rotina… tem sido difícil para mim conseguir ter rotina com horários, com alimentação…”
A presença de uma criança em casa também escancarou erros e acertos antes invisíveis. O que antes passava despercebido, agora impacta diretamente na formação de outro ser.
“Nos trouxe a percepção tanto dos nossos erros como dos nossos acertos.”
Mais do que nunca, Emanuelly entendeu que seu bem-estar é essencial para o bem-estar do filho. Autocuidado, para ela, não é apenas estética, mas presença, saúde mental e emocional.
“Os filhos não reproduzem o que eles escutam, eles reproduzem o que eles veem… então eu preciso estar bem.”
Ela aproveita os momentos em que o filho está na escola para reforçar sua individualidade: assiste a uma série, escuta música, lê. Estar bem consigo mesma é um compromisso com a maternidade.

“Eu tento conciliar dessa forma… quando eu estou com ele, eu tento realmente aproveitar cada segundinho da vida dele.”
A maternidade também transformou seu guarda-roupa. O conforto ganhou protagonismo. Tênis, camisetas e blusas práticas passaram a fazer parte da rotina.
“Quando você se torna mãe, você precisa do dinamismo… então o conforto veio muito com essa coisa da maternidade.”

Essa fase também trouxe novas marcas ao corpo, como o aumento das estrias. Inicialmente, Emanuelly sentiu insegurança, mas uma influência materna a ajudou a ressignificar essas marcas.
“Eu acredito que eu ressignifiquei aquelas marcas no meu corpo… elas falavam de um momento especial, de alguém que eu amo.”
Para ela, a moda é aliada da mulher em todas as fases da vida. Uma forma de contar sua própria história, de expressar sem palavras quem se é.
“A roupa tem esse poder de transportar, de contar histórias… então, acredito que a moda é uma ferramenta poderosa.”
Mas Emanuelly também faz uma crítica ao que a sociedade exige da mulher: perfeição, resiliência e beleza constante. Ela defende a singularidade de cada mãe.
“Cada mulher desenvolve a sua maternidade de forma diferente… eu respeito muito a minha singularidade e ofereço isso para outra mulher.”
Com maturidade, Emanuelly reconhece que os maiores desafios a serem superados são internos — o sobrepeso, o temperamento, as limitações que ela mesma deseja enfrentar.
“Eu acredito que as barreiras emocionais que eu preciso romper… elas estão muito relacionadas a mim.”
Apesar disso, ela nunca sentiu culpa por dedicar tempo a si mesma. Pelo contrário, percebe o quanto isso alegra o filho, que admira sua beleza e autenticidade.
“Eu nunca senti culpa por dedicar tempo a mim… ele ama me ver com o cabelo lavado… ele fala: ‘mamãe, a senhora tá tão linda’.”

A maternidade também trouxe um novo entendimento sobre o que é belo: viver plenamente cada fase da vida.
“Ser mulher é belo… qualquer estação da nossa vida, o fato de estarmos vivas, isso é beleza.”
Ela vê seu estilo como uma forma de comunicar ao filho sua identidade, alegria e autenticidade.
“Eu acredito que o meu estilo próprio diz muito isso pro meu filho: que eu sou autêntica, que valorizo a diferença…”
Estar bem vestida, na realidade da maternidade, é sentir-se bonita e confortável — um equilíbrio pessoal, subjetivo e poderoso. “Vai depender muito do estilo da pessoa. Não é o que eu acho
E Emanuelly finaliza com um conselho para todas as mulheres: que não desistam de si mesmas, que respeitem seu tempo e suas possibilidades.
“Mulher, não desista de você. Vá no seu tempo, da forma como você pode, faça os investimentos na proporção do que você pode.”
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