Empresário ligado ao PCC usava postos para lavagem de dinheiro milionária
Um dos principais investigados é Flávio Silvério Siqueira, acusado de liderar o esquema.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal iniciaram a Operação Spare, focada em desmontar um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) nos setores de combustíveis e jogos de azar. As informações são do O Globo.
Um dos principais investigados é Flávio Silvério Siqueira, acusado de liderar o esquema envolvendo adulteração e venda de combustíveis e a criação de empresas destinadas a ocultar dinheiro oriundo de atividades criminosas, incluindo postos de combustíveis e incorporadoras.
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Na operação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em locais associados a Siqueira na capital paulista, na Grande São Paulo e no litoral. O esquema utilizava uma fintech já suspeita de lavar dinheiro para o PCC. A operação contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Receita Federal, Secretaria da Fazenda, Procuradoria-Geral do Estado de SP e Polícia Militar.
Investigações revelaram que Flávio, também conhecido como Flavinho, ou pessoas a ele ligadas, controlavam direta ou indiretamente 400 postos de combustíveis. Destes, pelo menos 267 continuam ativos, e juntos movimentaram mais de R$ 4,5 bilhões de 2020 a 2024. No entanto, a Receita Federal notou que essa rede pagou somente R$ 4,5 milhões em tributos federais, o que equivale a cerca de 0,1% do total movimentado, muito abaixo da média do setor.
Além disso, o MP indica que Flávio Silvério tinha uma ampla rede de contatos e negócios com membros de alto escalão do PCC, utilizando uma estrutura sofisticada de empresas para lavar dinheiro ilícito.
O grupo liderado por Siqueira também atuava em lojas de franquias, motéis e empreendimentos na construção civil. Foram identificados ao menos 21 CNPJs ligados a 98 estabelecimentos de uma mesma franquia, que movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024, mas emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais.
Os motéis faziam parte do esquema, frequentemente registrados em nome de "laranjas", pessoas que emprestam seu nome sem serem realmente os proprietários. Mais de 60 motéis foram identificados, movimentando em torno de R$ 450 milhões entre 2020 e 2024, com R$ 45 milhões distribuídos em lucros e dividendos. No setor imobiliário, uma incorporadora adquiriu imóveis de R$ 1,8 milhão em 2021 e R$ 5 milhões em 2023. A defesa de Silvério não foi localizada.
As investigações começaram com a apreensão de máquinas de cartão em casas de jogos clandestinos em Santos, litoral paulista. Um dos dispositivos estava associado à empresa Ponto Mingatto Ltda. Paralelamente, o MP conduzia outra investigação após cumprir mandado de busca em um imóvel em Santos que também funcionava como casa de jogos de azar. No local, uma máquina de pagamentos em nome do Auto Posto Carrara Ltda. foi apreendida. A quebra de sigilo revelou movimentações financeiras idênticas dos dois postos, ambos transferindo valores para a fintech BK Bank, encarregada de ocultar a origem ilícita dos valores.
A BK Bank, a mesma fintech usada pela organização criminosa, movimentou "milhões de reais", segundo o MP. Ela também foi alvo da Operação Carbono Oculto, iniciada em 28 de agosto, para desmantelar um esquema bilionário de sonegação fiscal, fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, no qual estariam envolvidos membros do PCC.
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