Em Floriano, "A Paixão de Cristo" terá inovações e inspiração no Nordeste

Espetáculo acontecerá nos dias 3 e 4 de abril, com estimativa de público de mais de 40 mil pessoas.
A Paixão de Cristo
A Paixão de Cristo (Foto: Divulgação)

A edição 2026 do espetáculo “A Paixão de Cristo” acontecerá nos dias 3 e 4 de abril em Floriano (PI), reunindo milhares de pessoas todos os anos e movimentando não apenas a fé, mas também a economia e o cenário artístico da região. Em entrevista, a produção destacou a importância, as novidades para 2026 e os desafios de manter viva essa tradição.

O espetáculo conta com 400 envolvidos, que vão desde figurinista, maquiador, produtor, design gráfico, direção, atores, iluminação, técnico de som, entre outros.

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Para a organização, o evento, que é considerado um dos maiores espetáculos religiosos a céu aberto do mundo, vai muito além do palco. O produtor e diretor da apresentação Cesar Crispim fala sobre a importância do evento.

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“A Paixão de Cristo é muito importante para a cidade de Floriano e também para os artistas do Piauí, porque é uma oportunidade que todos têm de exercer sua atividade que é a arte de interpretar, assim como também haver uma troca de experiências entre os mais diversos artistas, os que vêm do RJ, de SP, do Piauí inteiro, do MA, CE. Então engrandece a carreira desses artistas”, destacou.

“Para a própria cidade, o movimento da rede hoteleira, o movimento nos restaurantes mais do que triplica nesse período. Os ambulantes também têm acesso a uma lateral do teatro para comercializar seus produtos. Isso é muito importante para que a cidade tenha esse movimento econômico. Tem gente que vem dos EUA, de Londres para assistir o espetáculo.”, afirmou, ressaltando ainda a visibilidade do evento. 

Foto: DivulgaçãoA Paixão de Cristo

Novidades na edição de 2026

Uma das principais mudanças deste ano está no texto base da encenação. Consequentemente, novas cenas e personagens ganham um destaque maior.

“A grande inovação deste ano está no texto. Nós trabalhávamos o texto de João e, neste ano, vamos trabalhar o texto do Evangelho de Mateus. O Evangelho de Mateus é considerado o mais completo de todos. Todos têm sua importância, todos têm sua veracidade, porém Mateus é mais longo, mais completo, recheado de mais informações.”

“As grandes mudanças estão nas cenas da cura da mulher hemorrágica, a cura da cega, a cura da aleijada, a ressurreição da filha de Jairo e também nós pontuamos o espetáculo, este ano, com as cenas de Maria Madalena. Madalena é muito importante na vida de Jesus e dos discípulos dele nessa história. Madalena traz uma mensagem de transformação espiritual muito grande, então ela vai aparecer mais este ano, ela está mais presente ao lado de Maria, na crucificação, ela está ali no momento da ressurreição, quando chega ao túmulo e Ele já não está mais. Então, Madalena é muito importante e, nesse texto, ela é muito valorizada, e esse personagem vai ser muito valorizado”, finaliza Cesar.

Inspiração que vem do Evangelho e do Nordeste

A construção artística do espetáculo tem como principal base os textos bíblicos, mas com uma identidade nordestina, valorizando a região. César Crispim traz detalhes do que o público verá.

“A nossa maior fonte de inspiração está no evangelho de Jesus, porque é lá que existem todas as informações sobre as histórias, as parábolas e os milagres. Nós também nos inspiramos muito no nosso Nordeste. Os tecidos são feitos nos teares da região, os figurinos remetem às cores da terra. A trilha sonora é original, voltada mais para o Nordeste, com sons da natureza. Todos os cenários que têm potes e taças são de barro, confeccionados por artesãos de Floriano, do Poti Velho em Teresina e da região de Oeiras. Fica um colorido muito bonito que relembra o Nordeste.”

Expectativa de público

Para este ano, a expectativa é de grande público, especialmente na Sexta-feira Santa.

“A nossa expectativa é de um público de 40 mil pessoas, sendo que a sexta-feira será um dia mais lotado e, no sábado, tem um público menor, pois já é tradição que isso aconteça todos os anos. A sexta-feira é o grande dia, pois é o dia em que todos os fatos principais da Paixão de Cristo aconteceram, então as pessoas vêm porque é um momento de celebração com Deus, é um momento de união com essa história tão maravilhosa que já perdura há mais de 2 mil anos, e esse público lota os hotéis, enriquece a cidade, abrilhanta a cidade, o comércio se movimenta também, e isso é muito bom, porque deixa a cidade viva nesse período.”

Desafios para manter o espetáculo

Apesar do sucesso, a produção destaca que produzir um espetáculo desta magnitude tem desafios, entre eles financeiros.

“O maior desafio é a captação de recursos. Infelizmente ainda vivemos em um país em que a arte não é tão valorizada. Esse ano, por exemplo, não temos nenhum apoio do governo federal. Do governo estadual e municipal, o apoio é muito pouco.”

Ainda assim, Cesar Crispim destaca que o trabalho coletivo faz a diferença.

“Coordenar 400 pessoas é de certa forma fácil, pois todos estão empenhados. Nós somos ao mesmo tempo artistas e diretores em cena.”

Foto: DivulgaçãoA Paixão de Cristo

Uma história que permanece atual

César Crispim finaliza falando sobre o motivo de “A Paixão de Cristo” ser um o sucesso contínuo, apesar dos anos.

“A história de Jesus continua atual porque nós a absorvemos no nosso dia a dia. Eu não consigo imaginar uma sociedade sem o Evangelho, porque quando você perdoa o seu amigo, isso é Evangelho, porque antes de Jesus era olho por olho e dente por dente. Se alguém te cortasse a mão, você ia lá e cortava a mão do outro, e agora Ele diz assim: se alguém te der um tapa, ofereça a outra face, perdoe aquela pessoa. E isso está na nossa sociedade hoje. Quando a gente fala do amor cristão, do amor ao próximo, do respeito à família, é o que está lá no Evangelho. Então, os nossos movimentos diários… a pessoa diz assim: “eu sou ateu, eu não acredito em nada”, porém todos os movimentos dela estão no Evangelho. Porque quando ela está no trânsito impaciente e, ainda por cima, há um engarrafamento e ela começa a ficar muito alterada, imediatamente ela faz um relaxamento, vai se acalmando, não briga, não diz nada, que é o “bem-aventurados os brandos e pacíficos”. Então, se você observar, nós estamos vivendo o Evangelho, então não tem mais como deixar de acreditar em Cristo e esquecer essa história, porque nós estamos vivendo o Evangelho. Quando Ele diz “não vou colocar em teus ombros fardo maior que você possa carregar”, então Ele está justamente dizendo para nós que nós temos, em cada um de nós, a medida certa para nossa evolução espiritual. Quando Ele fala o Pai Nosso, “livrai-nos do mal”, é o que nós queremos. Ninguém quer viver com o mal, nós queremos nos livrar do mal. Enquanto tudo que a gente fala — “eu queria tanto que desse certo a minha vida” — então, “venha a nós o vosso reino”, de amor, de bondade. Se vier o nosso reino, vai dar tudo certo, mas “livrai-nos do mal”, “não nos deixeis cair em tentação”, que é a grande luta. “Orai e vigiai” é o que nós estamos fazendo. Então, nós estamos impregnados do Evangelho, o mundo inteiro está vivendo o Evangelho, mesmo que inconscientemente, mas está vivendo. Nós estamos inseridos numa sociedade mundial em que o Evangelho está presente em todos os atos, ações, palavras, modos de olhar e sentir. Por isso, Jesus nunca vai passar, nunca vai dizer assim “esse passou”, porque nós estamos vivendo a época cristã, a era cristã.”

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