Conheça história da Banca do Waldir, fonte de notícias em Floriano por 37 anos

Popular em Floriano, a banca de revistas foi inaugurada em 1979 e encerrou suas atividades em 2016.
Banca teve mais uma mudança em seu espaço físico, até fechar, em 2016.
Banca teve mais uma mudança em seu espaço físico, até fechar, em 2016. (Foto: Arquivo Pessoal)

No dia 21 de setembro de 1955, em Oeiras (PI), nascia Waldir Ferreira de Freitas Martins Filho. Mais tarde, ele ficaria conhecido como “Waldir da Banca”. Filho de Waldir Ferreira de Freitas Martins e Irene de Oliveira Lopes Martins, ele perdeu o pai aos 7 anos.

Foto: Arquivo PessoalWaldir era conhecido em toda a cidade por causa de sua banca, principal fonte de informação de Floriano.
Waldir era conhecido em toda a cidade por causa de sua banca, principal fonte de informação de Floriano.

Após a perda do pai, Waldir e sua família se mudaram para a cidade de Picos (PI). Quando cresceu, começou a trabalhar em uma distribuidora de revistas na cidade e, algum tempo depois, recebeu um convite para levar o negócio para a cidade de Floriano (PI).

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Em agosto de 1979, ele recebeu a oportunidade de abrir uma loja na Avenida Eurípedes de Aguiar, onde poderia vender as revistas. O estabelecimento ficava no mesmo endereço da casa onde morava com sua família, como se fosse um “quarto” na frente da casa. Na época, a banca cresceu rapidamente e se tornou muito popular, pois também vendia discos de Roberto Carlos, um dos maiores nomes da música brasileira.

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Três anos depois, ele se mudou o negócio para a Praça Dr. Sebastião Martins. Em meados de 1997, Waldir mudou seu negócio para uma estrutura maior, que comprou de um concorrente.

Por ser a única fonte de informação da cidade além do rádio, a clientela de Waldir era grande. Ler jornais e revistas era um hábito comum antes da chegada da internet. Semanalmente, ele vendia cerca de 700 revistas. Somente a Veja, a comercialização chegava a 80 unidades por semana facilmente. As revistas de horóscopos e fofoca também eram um grande sucesso na época.

Além de beneficiar os moradores de Floriano, a banca ainda serviu para o crescimento de Waldir, não somente financeiramente. O ex-comerciante conta que pode aprender muito com a empresa.

Foto: Arquivo PessoalBanca teve mais uma mudança em seu espaço físico, até fechar, em 2016.
Banca teve mais uma mudança em seu espaço físico, até fechar, em 2016.

“Eu adquiri muitos conhecimentos com as informações dos jornais e das revistas. Trabalhando na banca eu também melhorei muito minha leitura, aprendi a me comunicar e me relacionar melhor com as pessoas, interagir, e isso foi um dos melhores aprendizados que tive com o negócio”.

Em 2001, Waldir adoeceu e preciso contar com a ajuda da esposa, Maria do Carmo Gonçalves de Freitas, e dos filhos Samuel, David e Daniel. Uma inflamação do nervo ciático resultou em um tratamento que durou seis meses e obrigou o comerciante a usar bengala por algum tempo.

Um dos ajudantes do pai, Samuel Gonçalves de Freitas lembra com carinho da banca. Além de se divertir no local, o filho mais velho conta que aproveitava o tempo que passava no local para curtir a companhia do pai, que ficava pouco em casa, por conta do trabalho, que obrigava Waldir a trabalhar de domingo a domingo.

“Na banca eu gostava do acesso às revistas em quadrinhos e algumas de jogos. Tive acesso a CDs de música e CD Rom na banca. Eu também ajudava às vezes, mesmo adolescente ficando no caixa ou ajudando a vigiar os possíveis ladrões de revista. São lembranças boas, eu sempre passava lá no final da tarde de bicicleta ao voltar do Colégio. Ficava um tempo lá com meu pai, já que ficava pouco em casa devido ao trabalho.”

Foto: Arquivo PessoalA banca ainda estava no mesmo local quando as fotografias coloridas começaram a ser acessíveis.
A banca ainda estava no mesmo local quando as fotografias coloridas começaram a ser acessíveis.

Anos depois, com a popularização da internet, os negócios deixaram de ser lucrativo e a Banca do Waldir foi perdendo espaço para os sites de notícia. Diante das facilidades, os clientes não precisavam mais sair de suas residências para terem acesso aos acontecimentos. Em dezembro de 2016, o custo para manter o negócio não era mais sustentado pelas vendas e a família decidiu encerrar o negócio, após 37 anos.

A decisão, que para muitos seria difícil, foi relativamente fácil para a família. Maria do Carmo, esposa de Waldir, conta que já estava bastante cansada do negócio. Para o marido, ficou a sensação de que sua missão estava concluída.

“Meu sentimento foi de dever cumprido, pois consegui educar e sustentar meus filhos com os rendimentos que eu tinha da banca. Na época, a internet acabou com o ramo, então mesmo que eu quisesse, não tinha como continuar”, relatou Waldir.

Apesar de ter sido um importante comerciante na cidade, possibilitando que a população tivesse acesso à informações e notícias relevantes para a sociedade, Waldir nunca recebeu nenhum tipo de reconhecimento do poder público.

Foto: Arquivo PessoalNos anos 80, a banca já havia mudado sua localização para a Praça Dr. Sebastião Martins.
Nos anos 80, a banca já havia mudado sua localização para a Praça Dr. Sebastião Martins.

Clientes da “Banca do Waldir”

Enquanto esteve em funcionamento, a banca possuía muitos clientes, alguns deles bastante fieis e que estão na memória de Waldir até hoje, que fez questão de citar o nome de todos os que lembrou:

Clóvis Ramos, Lourival Xavier Lima, Cristina Attem, Marcelo Guimarães, Dalton Cavalcante Palha, José Emílio, Pedro Attem Jr, Salomão Aires, João Elias Oka, Antônio Pereira Neto (Netim), Teodoro Ferreira Sobral, Joel Rodrigues, José Trajano Brandão Neto, Erivan Holanda, Antônio José Barros e Nilson Feitosa.

Acidente

No final de 1981, um acidente marcou a história da banca. Um evento de inauguração de uma concessionária foi realizado, com a presença do piloto Carlos Cunha, que fez uma demonstração na Avenida Getúlio Vargas.

Para assistir à apresentação, cerca de 30 pessoas subiram na cobertura da banca, que acabou virando. Ao cair para frente, a estrutura bateu no pescoço de uma moça de 18 anos que, coincidentemente, era amiga da família. Ela morreu na hora. Além disso, durante a confusão diversas revistas foram furtadas.

Foto: Arquivo PessoalNa época, a banca de Waldir era o meio mais rápido de ter acesso ao que acontecia na região e no país.
Na época, a banca de Waldir era o meio mais rápido de ter acesso ao que acontecia na região e no país.

Por causa do acidente, por muito tempo, as pessoas faziam comentários infelizes, apelidando o local de “banca assassina”. Para se defender, a família apenas respondia que a culpa era de quem havia subido na estrutura, que sozinha nenhum mal causaria.

Triste surpresa

Alguns dias depois de fechar a banca, a vida de Waldir teve outra reviravolta. Um câncer no reto o obrigou a fazer sessões de quimioterapia e radioterapia, além de retirar 26 centímetros do intestino em uma cirurgia que aconteceu em novembro de 2017. Por um ano, ele precisou fazer uso de bolsa de colostomia.

Em novembro de 2018, ele fez a cirurgia de reconstituição do órgão. Durante esse período, o piauiense precisou enfrentar muitas viagens entre Floriano e a capital Teresina.

Atual realidade

Hoje em dia, Waldir está bem de saúde, mas mantém acompanhamento médico a cada seis meses. Ele permanece residindo com a esposa em Floriano, mas está vivendo um período de “viajante”. Isto porque, frequentemente, passa parte dos seus dias em Teresina, onde também moram os três filhos e os três netos e outro período em Picos, onde mora sua mãe, dona Irene, e a maioria de seus irmãos.

Foto: Arquivo PessoalPrimeira banca aberta do Waldir, em uma sala anexa a sua residência.
Primeira banca aberta do Waldir, em uma sala anexa a sua residência.
Foto: Arquivo PessoalEm 1983, o filho Samuel frequentava e se divertia na banca junto com o pai.
Em 1983, o filho Samuel frequentava e se divertia na banca junto com o pai.

Matéria originalmente publicada em 22 de dezembro de 2019, às 08h10.

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