Vacina LepVax contra Hanseníase: Testes com 54 voluntários no Brasil
Instituto Oswaldo Cruz lidera teste histórico com vacina LepVax contra hanseníase.
O Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), está liderando um teste clínico inovador para a saúde pública mundial: uma etapa crucial no desenvolvimento da vacina LepVax contra a hanseníase. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a realização dos testes em humanos, abrindo caminho para uma potencial vacina gratuita para a população brasileira.
A LepVax, candidata a ser a primeira vacina contra a hanseníase, foi desenvolvida pelo Access to Advanced Health Institute (AAHI), um instituto americano de pesquisa biotecnológica sem fins lucrativos. Utilizando tecnologia de subunidade proteica avançada, a vacina demonstrou resultados promissores nos testes pré-clínicos contra a bactéria Mycobacterium leprae, responsável pela doença.
Antes de iniciar os estudos em humanos no Brasil, com a participação de 54 voluntários, a vacina passou por testes de segurança em 24 indivíduos saudáveis nos Estados Unidos. Esses testes comprovaram a segurança da vacina, sem ocorrência de eventos adversos graves, e também destacaram sua capacidade de estimular a resposta imunológica.
Desafio Epidemiológico
O Brasil concentra 90% dos casos de hanseníase nas Américas e é o segundo país com mais notificações no mundo, atrás apenas da Índia. Com quase 245 mil novas infecções em uma década e mais de 22 mil casos registrados somente em 2023, o país enfrenta um desafio significativo no controle da doença.
A chefe do Laboratório de Hanseníase do IOC/Fiocruz, Roberta Olmo, enfatiza a importância do ensaio clínico da LepVax como um avanço fundamental na busca pela eliminação da hanseníase como problema de saúde pública. A vacina pode contribuir significativamente para as metas de controle da doença, de acordo com a pesquisadora.
Procedimentos do Teste
O Instituto Oswaldo Cruz irá avaliar a segurança e a imunogenicidade da vacina, testando duas formulações com doses baixa e alta de antígeno. Os participantes serão divididos em três grupos, recebendo a vacina de acordo com a dose designada ou um placebo. Cada voluntário receberá três doses com intervalo de 28 dias e será acompanhado por um ano. Para participar, é necessário ter entre 18 e 55 anos e boas condições de saúde, além de não ter tido hanseníase anteriormente.
O dermatologista e pesquisador Cássio Ferreira destaca que a segurança da vacina será monitorada clinicamente, com exames laboratoriais regulares. Os resultados positivos nos Estados Unidos, sem eventos adversos graves, foram essenciais para a continuidade da pesquisa.
O Instituto Oswaldo Cruz foi selecionado como centro clínico para os testes, com o apoio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) como patrocinador do ensaio clínico. O projeto da LepVax é financiado pela American Leprosy Missions (ALM) dos Estados Unidos, com suporte adicional do Ministério da Saúde e do Global Health Innovative Technology Fund (GHIT Fund) do Japão.