Transplantes no Piauí batem recorde, mas 919 aguardam por órgãos
Entre os meses de janeiro e junho de 2025, 183 procedimentos foram realizados no estado.
O estado do Piauí enfrenta um desafio significativo na área de saúde, com 919 pacientes na fila de espera por um transplante de órgão. Destes, 508 pacientes aguardam por um transplante de rim, enquanto 411 esperam por uma córnea. As informações são do g1.
Apesar dessa demanda, o estado alcançou um recorde de transplantes entre janeiro e junho de 2025, com 183 procedimentos realizados, conforme dados da Secretaria de Saúde (Sesapi).
A Central de Transplantes do Piauí informou um crescimento constante no número de transplantes nos últimos dois anos. No primeiro semestre de 2025, foram realizados 29 transplantes de rim — envolvendo três doadores vivos e 26 doadores falecidos — além de 154 transplantes de córnea.
No ano de 2023, o estado registrou 15 doações de múltiplos órgãos, 88 transplantes de córnea e 18 de rim. Já em 2024, os números aumentaram para 21 doações de múltiplos órgãos, 136 transplantes de córnea e 21 de rim.
Lourdes Veras, coordenadora da Central de Transplantes, expressou otimismo: “Atingimos os melhores índices da nossa série histórica. Se mantivermos a mesma proporcionalidade no segundo semestre, teremos recordes em doações de múltiplos órgãos, transplantes de córneas e de rins, no estado”.
Facilidades para doação de órgãos
Desde abril de 2024, manifestar o desejo de ser doador de órgãos tornou-se mais simples no Brasil. Agora, é possível formalizar essa vontade por meio de um documento oficial digital, reconhecido em cartório. O processo acontece através do site www.aedo.org.br, onde um formulário é preenchido e enviado. Em seguida, o cartório contata o doador para confirmar os dados via chamada de vídeo, sem qualquer custo.
A nova Carteira de Identidade também permite que o indivíduo registre, no verso, sua disposição para a doação de órgãos após o falecimento. Para isso, basta informar esse desejo ao solicitar o novo documento.
Importância do diálogo familiar
Conforme a legislação brasileira vigente, a autorização final para a doação de órgãos cabe à família do falecido, mesmo que ele tenha expressado o desejo de doar. Médicos da área de transplantes destacam que o diálogo com familiares e amigos é crucial para assegurar que a vontade do doador seja respeitada.
A lei n° 9.434/2007, regulamentada pelo decreto n° 9.175/2017, estabelece que o consentimento familiar é imprescindível, independentemente do registro na identidade do doador.