Tenente da PM morto em operação já havia sobrevivido a sete tiros no passado
Em 2015, o policial foi atingido por sete tiros durante um assalto a uma padaria.
O 1º tenente da Polícia Militar Marcos José Oliveira de Amorim, de 33 anos, morto na sexta-feira (31) durante uma operação no Complexo de Israel, no Rio de Janeiro, já havia sobrevivido a um episódio de extrema violência anos antes. Em 2015, o policial foi atingido por sete tiros durante um assalto a uma padaria, mas conseguiu se recuperar e seguir na corporação.
A sobrevivência e a luta para continuar na PM
O episódio ocorreu em 22 de fevereiro de 2015, quando Amorim estava dentro de uma padaria que foi invadida por assaltantes. Ao ser identificado como policial, houve uma troca de tiros e ele foi baleado sete vezes. Apesar da gravidade dos ferimentos, sobreviveu e se recuperou, mas chegou a ser considerado inapto para atuar em operações.
Determinando a seguir carreira na Polícia Militar, decidiu prestar concurso para oficial e foi aprovado em todas as disciplinas. No entanto, foi reprovado no teste de saúde por conta das lesões sofridas no assalto. Sem aceitar a decisão, entrou na Justiça e conseguiu reverter a reprovação, provando que estava totalmente apto para exercer a função.
Na decisão judicial, a desembargadora Regina Lúcia Passos argumentou que não fazia sentido a Polícia Militar barrar a progressão na carreira de um candidato que já atuava nas ruas e não apresentava sequelas que o impedissem de trabalhar.
"Não é razoável que um curso oferecido pela própria Polícia Militar tenha previsão de reprovação no exame de saúde para um candidato que, apesar de ter apresentado as lesões descritas no edital, está curado e sem sequelas impeditivas para sua atividade profissional."
Após a decisão favorável, Amorim seguiu sua trajetória e conquistou o cargo de oficial.
Morte em operação
Na última sexta-feira (31), o destino do policial foi selado de forma trágica. Durante um patrulhamento na comunidade Furquim Mendes, que faz parte do Complexo de Israel, Amorim foi atingido por um único disparo fatal, não resistindo aos ferimentos.
Com 13 anos de serviço na Polícia Militar, Amorim havia ingressado na corporação em 2011, aos 20 anos. Sua morte marca o segundo caso de um policial militar morto em operação na região metropolitana do Rio de Janeiro em 2025.
A violência contra policiais no Rio
O caso de Amorim evidencia a crescente violência enfrentada por agentes de segurança no estado. Em 2024, dez policiais militares foram mortos em operações no Grande Rio. Além disso, outros três PMs perderam a vida de forma violenta: dois foram executados em Mesquita e Duque de Caxias, e um morreu vítima de latrocínio no Aterro do Flamengo.
A morte do tenente reacende o debate sobre as condições de segurança dos agentes em patrulhamentos e operações, bem como a necessidade de estratégias para reduzir os riscos enfrentados pelos policiais no combate ao crime organizado.