STF acerta mais do que erra, diz Flávio Dino
Dino destacou decisões históricas do STF, como a que invalida o "orçamento secreto".
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou uma sessão da Primeira Turma na terça-feira (10), para defender a instituição das críticas crescentes. Durante seu pronunciamento, o magistrado afirmou que o tribunal "acerta mais do que erra" e expressou preocupação com a falta de "moderação, prudência e cuidado" nas análises sobre a atuação dos ministros.
Como presidente do colegiado, Dino destacou decisões históricas do STF, como a que invalida o "orçamento secreto". Ele classificou a medida de transparência sobre emendas parlamentares como um exemplo de "acerto fundamental" da Corte.
Essa defesa do Judiciário por Dino ocorre em um contexto de isolamento institucional. Relatórios recentes da Polícia Federal revelaram mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, enviadas no dia da operação contra o dono do Banco Master. Além disso, o ministro Dias Toffoli se afastou da relatoria do caso devido a vínculos financeiros de sua família com parentes de Vorcaro, o que intensificou as suspeitas de relacionamento impróprio entre o tribunal e o sistema financeiro.
O discurso de Dino contrasta com a opinião pública captada pela pesquisa Meio/Ideia, que apontou o STF como a instituição mais associada ao escândalo do Banco Master. O levantamento mostrou que 35% dos entrevistados que acompanham o caso mencionam o tribunal, e 70% desse grupo acredita que a credibilidade da Corte está gravemente comprometida.
Enquanto Dino pede "prudência" aos críticos, o país observa a revelação de um esquema complexo de influências. A Polícia Federal comprovou pagamentos do Banco Master a escritórios de parentes de ministros, incluindo Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Ao sustentar que o tribunal "acerta mais do que erra", Dino minimiza o impacto das evidências que colocam o STF no centro de uma crise de confiança sem precedentes. Na percepção da maioria dos brasileiros, a suspeita de parcialidade supera os acertos processuais mencionados pelo ministro.