Rejeição de Messias ao STF aumenta tensão entre ministros e Senado
Placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis surpreendeu tribunal, que esperava aprovação apertada.
A decisão do Senado de rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi interpretada como um sinal político ao tribunal. Esse resultado mostra a força da atual maioria legislativa em criar desafios para o STF e, potencialmente, questionar a permanência de ministros através de processos de impeachment. As informações são do site InfoMoney.
Ministros, que preferiram não se identificar, consideraram essa rejeição uma derrota política significativa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teve um papel crucial na formação da maioria contrária à indicação de Messias.
Alcolumbre atuou diretamente para conquistar votos de parlamentares de direita, influenciando o resultado final. A percepção no STF é de que, enquanto Alcolumbre se esforçou pessoalmente para impedir a nomeação de Messias, o Planalto falhou na articulação política, especialmente devido à ausência de negociação direta de Lula com o presidente do Senado.
Desde a abertura da vaga no STF, após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, Alcolumbre já manifestava insatisfação com a preferência de Lula por Messias, defendendo a indicação de Rodrigo Pacheco. O placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis surpreendeu o tribunal, que esperava uma aprovação apertada.
O revés também representou um golpe para o ministro André Mendonça, que foi um dos principais apoiadores da indicação de Messias. Em 2021, Mendonça enfrentou resistência de Alcolumbre quando foi indicado por Jair Bolsonaro, com sua sabatina sendo adiada por mais de quatro meses.
Esse episódio ocorre em um contexto de tensão crescente entre o STF e o Senado. Recentes decisões e declarações de ministros intensificaram o desgaste nas relações com os parlamentares. A votação é vista como uma afirmação do Legislativo na disputa de poder com o Supremo, alterando o ambiente político e possivelmente incentivando novas ações contra o tribunal.