Presidente do Comercial-PI recorre a empréstimo incomum para quitar salários

Dirigente conta com ajuda inusitada para pagar jogadores e revela dificuldades financeiras
João Neto, presidente do Comercial-PI
João Neto, presidente do Comercial-PI (Foto: Julio Costa / ge Piauí)

O presidente do Comercial-PI, João da Silva Neto, tomou uma decisão incomum para quitar parte dos salários atrasados do elenco do clube. Ele admitiu ter recorrido a um agiota para conseguir o dinheiro necessário, garantindo o pagamento de 60% dos vencimentos em atraso dos jogadores do time, que participaram da Série B do Campeonato Piauiense e foram eliminados na primeira fase, sem calendário para o restante de 2025.

Segundo Neto, a situação financeira do clube ficou tão crítica que não havia outra saída a não ser buscar ajuda externa. Ele enfatizou que, para manter a equipe em competição, foi preciso recorrer a esse recurso inusitado. Mesmo diante das dificuldades, o dirigente se mostrou satisfeito com o desempenho da equipe e criticou outros clubes da região que, segundo ele, gastaram quantias elevadas sem apresentar resultados significativos.

O Comercial-PI tem uma folha salarial de R$ 45 mil, entre jogadores e comissão técnica, e ainda acumulou um débito de R$ 60 mil no ano atual.

Principais credores do Comercial-PI:

  • Ministério do Trabalho (dívidas trabalhistas);
  • Receita Federal (encargos do clube);
  • Rescisões de contratos de atletas;
  • Salários pendentes de jogadores da temporada anterior;
  • Material de treino;
  • Escritório de contabilidade;
  • Despesas de viagem;
  • Empréstimo com agiota.

O presidente explicou que, ao recorrer ao empréstimo com o agiota, está ciente de que os juros serão cobrados, mas afirmou que pretende quitar todas as dívidas assim que receber apoio financeiro do governo. Ele destacou a falta de compreensão por parte de algumas pessoas sobre as dificuldades enfrentadas pelos clubes na gestão financeira e logística das equipes esportivas.

"Manter um time competitivo envolve muitas despesas, como viagens e infraestrutura. Tivemos que lidar com limitações, como a condição precária do estádio, que nos obrigou a treinar em outro local. Os recursos muitas vezes precisam ser desviados do orçamento original para cobrir esses custos extras", ressaltou o dirigente.

Durante a última temporada, o Comercial-PI enfrentou obstáculos devido às condições do estádio Deusdeth de Melo, em Campo Maior, comprometendo o treinamento e a preparação da equipe. Mesmo com as dificuldades, o time conseguiu se manter na competição, mas não conquistou o acesso.

Com a temporada de 2025 já em andamento, o Comercial-PI segue na Série B do Campeonato Piauiense, buscando superar os desafios financeiros e esportivos para alcançar melhores resultados e garantir a estabilidade do clube a longo prazo.