Presidência blindada? Corisabbá rejeita nome com experiência em gestão
Anderson Kamar garante gestão no Corisabbá até 2027
Natural de Floriano e com forte histórico de contribuição ao clube, Elisvaldo Silva , empreendedor da área de tecnologia e conselheiro fiscal do Corisabbá , diz que a atual gestão ignora o estatuto e enfraquece a democracia interna da Águia de Floriano.
O que era para ser uma candidatura promissora à presidência da Associação Atlética Corisabbá transformou-se em denúncia pública. Elisvaldo Silva, empresário do setor de tecnologia, conselheiro fiscal do clube e natural de Floriano (PI), decidiu não registrar sua candidatura após constatar, segundo ele, um cenário de fragilidade institucional e graves irregularidades no processo eleitoral do clube.
Anderson Kamar garante gestão no Corisabbá até 2027
A eleição ocorreu na noite da última terça-feira, 16 de abril de 2025, e resultou na reeleição de Anderson Karmar para um quarto mandato consecutivo, que agora se estenderá pelos anos de 2025, 2026 e 2027 — uma sequência que, segundo Elisvaldo, fere diretamente o estatuto da agremiação.
Com mais de 25 anos de experiência na área web e formação em Sistemas para Internet, além de curso de Gestão Esportiva pela CONMEBOL, Elisvaldo já havia contribuído com o clube desenvolvendo o site oficial do Corisabbá e o programa de sócios-torcedores — ambos retirados do ar por decisão do mandatário do alvi-negro de Floriano.
“Não existe democracia onde não há respeito ao estatuto. O Corisabbá hoje opera na base da informalidade. As prestações de contas não são públicas, a lista de sócios com direito a voto nunca foi divulgada e não há convocação regular para assembleias”, denunciou.
Nascido e criado no bairro Manginha, em Floriano, Elisvaldo relembra com orgulho seu vínculo com o clube e lamenta que a atual gestão tenha, segundo ele, se desconectado da sua comunidade e do espírito democrático que deveria guiar o futebol.
“O atual presidente já está em seu terceiro mandato consecutivo, o que por si só já fere o estatuto. Não há processo eleitoral transparente. Como posso me candidatar a um cargo em que as regras básicas de legitimidade não são cumpridas?”, questionou.
Para ele, a perpetuação do mandatário no cargo simboliza o afastamento do clube da sua base social e o enfraquecimento da transparência exigida por lei.
“É inadmissível que o torcedor não saiba quem são os sócios, como são escolhidos os dirigentes e para onde vai o dinheiro do clube. Isso não é gestão, é improviso institucionalizado.”
Apesar da desistência, Elisvaldo Silva reafirma seu compromisso com a reconstrução do clube — desde que haja vontade política para restaurar a legalidade e reconectar o Corisabbá à sua torcida.
“Não estou atrás de um cargo. Estou atrás de um clube que respeite sua história e seus torcedores. Se houver abertura para mudança, estarei à disposição. Mas não sob esse modelo autoritário e obscuro que se instalou.”
A fala do empresário repercutiu entre torcedores e ex-jogadores, muitos dos quais veem a reeleição de Anderson Karmar e a forma como o processo se deu como mais um capítulo da crise de identidade e legitimidade do clube mais tradicional do sul do Piauí.