Preço do café arábica alcança nível histórico em 30 anos
Café arábica atinge valor recorde após 30 anos, aponta Cepea. Entenda os motivos.
O mercado do café arábica, uma das variedades mais populares no Brasil, registrou em fevereiro o maior valor real das últimas três décadas, conforme revelado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Essa marca histórica, divulgada recentemente, reflete um cenário de estoques reduzidos, demanda consistente e apreensões em relação à safra atual, conforme apontam os especialistas.
Alta significativa em 2025
Apenas no decorrer de 2025, o preço subiu mais de R$ 500 por saca , demonstrando o impacto da combinação entre escassez de estoques, demanda robusta e incertezas em torno da safra vigente. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, caracterizado como bebida dura para melhor, atingiu a marca de R$ 2.769,45 por saca de 60 kg em 12 de fevereiro, estabelecendo um novo recorde na série histórica iniciada em 1996.
Desafios e Perspectivas
O Cepea ressalta que os baixos estoques, tanto a nível nacional quanto global, têm sustentado essa trajetória de valorização. Adicionalmente, os especialistas alertam para uma produção que se projeta como "modesta" para a safra brasileira de café em 2025/26, mantendo o mercado em estado de vigilância.
Mesmo com os preços elevados, a demanda permanece aquecida, exercendo pressão adicional sobre os valores. As condições climáticas constituem outra fonte de inquietação para a colheita de 2025. O calor intenso e a ausência de chuvas, particularmente nas últimas semanas, têm gerado preocupações entre os produtores.
Clima e Produção
Embora as lavouras de arábica estejam na fase final de desenvolvimento, as condições meteorológicas desafiadoras continuam sendo uma variável crucial. Apesar do volume satisfatório de chuvas observado desde outubro de 2024, as perspectivas para fevereiro indicam precipitações abaixo da média e temperaturas acima do normal, fatores que têm gerado apreensão.
O calor excessivo e a falta de chuvas no ano anterior já prejudicaram a produção da safra 2025/26, e embora as chuvas recentes tenham trazido certo otimismo, as temperaturas elevadas nos próximos dias serão determinantes para o desfecho final. A qualidade do café pode ser comprometida pelo calor excessivo, que não permite noites amenas essenciais para um bom desenvolvimento dos grãos.
Portanto, o setor acompanha com atenção a evolução das condições climáticas, ciente de que os desafios apresentados pela natureza podem impactar significativamente a safra de café em 2025/26. A busca por equilíbrio entre oferta e demanda continua sendo um desafio para os produtores e consumidores dessa commodity tão apreciada em todo o mundo.