Mais de 300 sul-coreanos são detidos nos EUA e enviados para a Coreia do Sul

Os trabalhadores desembarcaram no aeroporto de Seul, onde foram recebidos por familiares.

Mais de 300 trabalhadores sul-coreanos, detidos por agentes do ICE na Geórgia, EUA, retornaram ao país nesta sexta-feira (12), encerrando um episódio que impactou as relações entre Estados Unidos e Coreia do Sul.

Os trabalhadores desembarcaram no aeroporto de Seul, onde foram recebidos por familiares. Uma mãe, identificada apenas como Park pela CNN, relatou a dificuldade de contatar seu filho durante a detenção e revelou a preocupação com suas alergias.

Outro relato veio de uma mãe que expressou angústia ao assistir aos vídeos da operação do ICE, mencionando que deseja que seu filho possa um dia trabalhar novamente no exterior, mas prefere mantê-lo seguro na Coreia por ora.

Durante a detenção, os trabalhadores enfrentaram dias de incerteza, enquanto o principal diplomata sul-coreano buscava negociar a libertação em Washington.

Desafios Diplomáticos

A aliança duradoura entre Coreia do Sul e EUA, reforçada após a Guerra da Coreia, viu-se abalada por imagens de trabalhadores algemados, gerando questionamentos sobre a parceria econômica promovida por Trump.

Em agosto, uma cúpula entre Trump e o presidente sul-coreano Lee Jae Myung destacou investimentos coreanos significativos nos EUA, com promessas de bilhões de dólares, incluindo um compromisso da Hyundai de investir US$ 25 bilhões após reuniões presidenciais.

Entretanto, a operação conduzida na fábrica de baterias da Hyundai e LG causou perplexidade, especialmente dado o envolvimento de Trump em atrair investimentos coreanos.

Questionamentos sobre a legalidade dos vistos dos trabalhadores surgiram, enquanto advogados sustentam que muitos tinham permissão legal para trabalhar, incluindo isenções de visto.

Impacto na Produção Industrial

A fábrica de baterias na Geórgia, uma peça-chave para a produção de veículos elétricos, enfrenta agora atrasos na operação, inicialmente prevista para criar 8.500 empregos.

O CEO da Hyundai, Jose Munoz, mencionou que a operação poderá ser adiada por dois a três meses enquanto buscam alternativas para a obtenção de baterias, dado que muitos detidos eram empregados de fornecedores da LG.

A situação levou o presidente Lee a alertar sobre a possível reconsideração de investimentos sul-coreanos nos EUA e a discutir novas categorias de vistos para facilitar a entrada de trabalhadores sul-coreanos.