Lula pretende destacar soberania após decisão dos EUA sobre facções
Governo se preocupa com possíveis impactos econômicos e diplomáticos decorrentes da classificação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende enfatizar a defesa da soberania nacional ao responder à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas. Essa postura surge em contraponto à reação do senador Flávio Bolsonaro, que celebrou a medida logo após visitar o presidente americano Donald Trump.
A preocupação do governo é com os possíveis impactos econômicos e diplomáticos decorrentes dessa classificação. Empresas brasileiras podem enfrentar sanções devido à infiltração do crime organizado na economia formal, e há o receio de que os EUA usem o combate ao “narcoterrorismo” para justificar ações militares fora de seu território.
Após um encontro cordial entre Lula e Trump no início do mês, o governo brasileiro não esperava tal anúncio por parte dos americanos. A decisão do Departamento de Estado dos EUA na quinta-feira pegou o Planalto de surpresa.
Em entrevista recente, o ministro Wellington Lima e Silva havia descartado a possibilidade de uma ação imediata nesse sentido. Agora, a administração Lula busca calibrar sua resposta oficial para evitar interpretações públicas que possam sugerir uma defesa das facções criminosas.