Israel busca 'acordo integral' e mantém silêncio sobre proposta do Hamas
Porta-voz de Israel menciona busca por acordo abrangente, enquanto Netanyahu não responde.
O porta-voz do governo de Israel para a mídia estrangeira, David Mencer, afirmou nesta terça-feira que Israel está em busca de um "acordo integral" que resulte na libertação dos 50 reféns ainda retidos na Faixa de Gaza. Enquanto isso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu mantém-se em silêncio diante da última proposta aceita pelo Hamas.
"Israel deseja um acordo completo que traga todos de volta para casa. Apreciamos enormemente os esforços dos países mediadores e, sem dúvida, estamos estudando qualquer medida que leve à libertação dos reféns e ao cumprimento dos objetivos desta guerra", declarou Mencer em uma coletiva de imprensa.
Os mediadores aguardam a resposta de Israel à última proposta, a qual, há nove dias, foi aceita pelo Hamas. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, país mediador junto com Egito e Estados Unidos, o plano atual prevê uma pausa de 60 dias. Durante esse período, o Hamas entregaria 10 reféns vivos e 18 mortos, em troca de um número não especificado de prisioneiros e detidos palestinos, entre outros termos.
Recentemente, uma fonte de segurança egípcia, que preferiu não se identificar, informou à Agência EFE que uma delegação técnica do Egito visitou Israel para discutir o reinício das negociações indiretas visando encerrar a ofensiva em Gaza, sem fornecer mais detalhes.
Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, desde outubro de 2023, mais de 62.800 pessoas perderam a vida em mais de 22 meses de ofensiva israelense. Esse número, porém, pode ser ainda maior, pois não engloba mortes não violentas por fome ou doença. Entre as vítimas, estão cerca de 18 mil crianças.
Ademais, mais de meio milhão de palestinos na região de Gaza sofrem com a fome, de acordo com a ONU, ocasionada pelo bloqueio israelense à entrada livre de alimentos e outros recursos essenciais. Cerca de dois milhões de palestinos foram obrigados a se deslocar, muitos mais de uma vez, e atualmente a maioria vive em condições precárias em campos dentro da Faixa de Gaza, onde residências, escolas e hospitais foram devastados.