Irã exige respeito mútuo para retomar diálogo nuclear com os EUA

A declaração foi feita por Kamal Kharrazi, assessor de política externa do líder iraniano.

O Irã expressou sua disposição para reiniciar as negociações nucleares com os Estados Unidos, desde que o processo seja conduzido com respeito mútuo. A declaração foi feita por Kamal Kharrazi, assessor de política externa do líder iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, em uma entrevista à CNN na terça-feira (19).

Kharrazi afirmou que Teerã não mudará sua posição, que se mantém inalterada desde os ataques de Israel e dos EUA em junho. Segundo ele, "Os Estados Unidos precisam dar o primeiro passo, mostrando que estão prontos para conversar sob nossas condições. As negociações devem ser baseadas em igualdade e respeito mútuo".

Ele destacou que a agenda das discussões será definida previamente para garantir clareza nos temas abordados. Kharrazi também criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em sua visão, prefere resolver questões pela força, ao invés de buscar soluções diplomáticas.

Em resposta, Trump declarou que o Irã demonstrou grande interesse em firmar um acordo nuclear com os EUA. Durante um jantar na Casa Branca, com a presença do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, Trump comentou que "Eles precisam dar o primeiro passo para que possamos alcançar um acordo. Eles querem muito negociar conosco, e provavelmente conseguiremos um acordo com o Irã."

Condições

Kharrazi deixou claro que as condições do Irã para negociar com os EUA permanecem as mesmas após os ataques. Ele afirmou que o enriquecimento de urânio continuará sendo uma prioridade, já que é essencial tanto para as usinas de energia quanto para serviços médicos. Além disso, o programa de mísseis balísticos de Teerã não fará parte das negociações. "Nosso foco será apenas a questão nuclear", reforçou ele.

O representante iraniano também ressaltou que, apesar dos danos causados às instalações nucleares do Irã após os ataques, o programa permanece intacto, conforme confirmado pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh. Kharrazi observou que os ataques ocorreram enquanto as negociações estavam em curso, e os danos às instalações ainda estão sendo avaliados.

Durante as negociações, os EUA insistiram para que o Irã interrompesse todo o enriquecimento de urânio, mas o Irã manteve sua posição de continuar o enriquecimento doméstico, garantindo que o nível de pureza não pudesse ser usado para construir armas nucleares.

Kharrazi destacou que, se as negociações avançarem, o foco não será o enriquecimento em si, mas o grau de enriquecimento. Ele também mencionou a possibilidade de um novo confronto militar com os EUA ou Israel e afirmou: "Tudo é possível. No entanto, estamos preparados para qualquer cenário".

Em junho, a imprensa americana relatou que Washington propôs um acordo em que os EUA investiriam no programa nuclear civil do Irã e se juntariam a um consórcio para supervisionar o enriquecimento de urânio de baixo grau de pureza no país. Embora autoridades iranianas tenham se mostrado abertas à ideia de um consórcio, insistiram em manter o controle sobre suas próprias capacidades de enriquecimento.

Ainda assim, Kharrazi afirmou que há possibilidade de negociação entre Irã e EUA para a criação de um consórcio nuclear. "Se houver negociações genuínas, podemos encontrar formas de garantir que o Irã continue com seu enriquecimento de urânio e, ao mesmo tempo, assegurar aos outros que não buscamos armas nucleares”, disse ele em entrevista à CNN.

Ele também recomendou a Trump que adote uma abordagem positiva para o sucesso das negociações: “Comece com uma abordagem positiva. Se a postura for positiva, certamente haverá reciprocidade."