Famílias com renda de até R$ 1.200 usam 82% dos recursos do SUS

Estudo revela que cada R$ 1 investido em saúde gera retorno econômico significativo.
Aplicacao da vacina bivalente contra a covid-19 no posto movel de vacinacao da Unidade Basica de Saude - UBS
Aplicacao da vacina bivalente contra a covid-19 no posto movel de vacinacao da Unidade Basica de Saude - UBS (Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil)

Famílias com renda de até R$ 1.200 utilizam 82% dos recursos do SUS, aponta estudo da Roche Farma Brasil. A pesquisa, realizada com dados da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) de 2019 e informações de 2021 do SCN (Sistema de Contas Nacionais) do IBGE, revela que cada R$ 1 investido em saúde pública gera um retorno de R$ 1,23 para as famílias e R$ 1,61 para o PIB (Produto Interno Bruto), graças à redução de despesas de saúde, aumento da capacidade produtiva e geração de empregos.

O estudo, financiado pela Roche e conduzido pela consultoria HTopics, utiliza um modelo matemático para calcular o efeito multiplicador do gasto em saúde sobre a economia. Esse efeito ocorre quando um aumento nos investimentos gera impacto superior ao valor inicial, beneficiando vários setores.

Everton Macêdo, doutor em ciências da saúde e coordenador técnico do estudo, destaca que a pesquisa visa reforçar a discussão sobre o financiamento do SUS. “A saúde, embora seja um direito constitucional, é frequentemente vista como um custo, quando, na verdade, é um setor estratégico com retorno econômico significativo”, explica.

Em 2010, o Ipea também analisou o efeito multiplicador, concluindo que a cada R$ 1 investido em despesas sociais, gerava-se R$ 1,37 em riquezas. O modelo do estudo atual calcula o impacto de um aumento de 1% do PIB em gastos com saúde, estimulando diversos setores econômicos, como a indústria da saúde e o mercado de trabalho.

Embora os dados de 2021, ano impactado pela pandemia da Covid-19, possam limitar algumas conclusões, Macêdo reforça os efeitos positivos do investimento em saúde. “O objetivo é fornecer informações úteis para gestores e políticos, promovendo o debate sobre o financiamento da saúde no Brasil. Futuras análises regionais ajudarão a entender como esses efeitos variam em diferentes partes do país”, afirma.

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, destaca que o investimento em saúde no Brasil é insuficiente e exige maior eficiência na gestão do sistema. “O país investe 4,5% do PIB em saúde, valor baixo comparado a outros países”, afirma. Ele aponta a disparidade de gastos entre o setor público e o privado no Brasil, observando que, em 2022, o sistema público gastou cerca de R$ 2.000 por pessoa, enquanto o setor privado gastou R$ 5.000. O Reino Unido, exemplo em saúde pública, investe cerca de R$ 21 mil por habitante.

Teich sugere que, a partir do estudo da Roche, novas análises são necessárias para direcionar os investimentos de maneira mais eficiente e ajudar a definir as prioridades no sistema de saúde.