Entenda: o que a operação sobre manipulação de resultados investiga?

A operação "Penalidade Máxima II" tem causado o afastamento de atletas em vários clubes do país.

A investigação da Operação "Penalidade Máxima" tem revelado que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo .

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A operação "Penalidade Máxima II" tem causado o afastamento de atletas em vários clubes do país.

Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe .

Segundo as investigações, as primeiras denúncias surgiram no fim de 2022 , quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro. Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

Diante do ocorrido, Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto .

Segundo informações da ESPN, na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Penalidade Máxima II

A Justiça de Goiás acatou a denúncia feita pelo Ministério Público contra os 16 investigados na operação Penalidade Máxima II. O documento, com 113 páginas, foi divulgado pelo MP. Ao todo, são sete atletas acusados, além de nove apostadores que comandam a organização criminosa. Os réus vão a julgamento após o processo de instrução feito pelo juiz .

A ação investiga uma possível manipulação de resultados em 13 partidas de futebol: 8 do Campeonato Brasileiro da Série A de 2022, 1 da Série B de 2022 e 4 de campeonatos estaduais realizados em 2023.

No total, ao menos 20 jogos estão sendo investigados pelo Ministério Público de Goiás.

Os jogadores acusados de terem participado de esquemas de manipulação correm o risco de serem banidos do futebol . Esses atletas podem ser denunciados no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que fala sobre "atuar deliberadamente de modo prejudicial à equipe de defende", e cuja pena é uma multa que pode chegar a R$ 100 mil e uma suspensão que vai de um a dois anos. Em caso de reincidência, a pena pode ser de eliminação do esporte – além de outra multa de até R$ 100 mil.

As denúncias apresentadas pelo Ministério Público de Goiás como parte da Operação Penalidade Máxima foram compartilhadas com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que pode usar a investigação dos promotores para embasar suas próprias denúncias no âmbito esportivo – os casos correm em paralelo . Ou seja, não há necessidade de uma investigação própria do STJD.

Isso também significa que, enquanto não houver julgamento e eventual condenação, os atletas denunciados não ficam impedidos de participar de treinos e jogos.

Até 2010 não existia previsão na lei para este tipo de delito, motivo pelo qual o escândalo da "Máfia do Apito" (de 2005), terminou sem ninguém ter sido preso.

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No total, ao menos 20 jogos estão sendo investigados pelo Ministério Público de Goiás.

Jogadores denunciados na Operação Penalidade Máxima:

Eduardo Bauermann, zagueiro do Santos

Gabriel Tota, meia do Juventude emprestado ao Ypiranga

Vitor Ramos, zagueiro da Chapecoense (ex-Portuguesa)

Igor Cariús, lateral ex-Cuiabá e hoje no Sport

Paulo Miranda, zagueiro ex-Juventude que estava no Náutico

Fernando Neto, meia ex-Operário-PR hoje no São Bernardo

Matheus Gomes, goleiro do Sergipe

Antes, na primeira fase da operação, já haviam sido denunciados:

Gabriel Domingos, ex-Vila Nova (GO)

Romário, ex-Vila Nova -GO

Joseph, ex-Tombense

Mateusinho, ex-Sampaio Correa, hoje no Cuiabá

André Queixo, ex-Sampaio Correa e afastado pelo Ituano

Ygor Catatau, ex-Sampaio Correa e hoje no futebol do Irã

Paulo Sérgio, ex-Sampaio Correa e afastado pelo Operário-PR

*com informações da ESPN e ge