Dupla norte-americana ganha Prêmio Nobel de Medicinal
Descoberta pode abrir caminhos para novos tratamentos de doenças e medicamentos.
O Prêmio Nobel de Medicina em 2024 vai para a dupla norte-americana Victor Ambros e Gary Ruvkun. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (07), durante a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, na Suécia.
Os dois cientistas foram premiados pela descoberta dos microRNAs e seu papel na “regulação genética pós-transcricional”, processo fundamental para o desenvolvimento das células em nosso organismo. Os laureados dividirão o prêmio financeiro de 11 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 5,8 milhões).
Quem são os ganhadores e o que descobriram
Victor Ambros nasceu em Hanover, no New Hampshire (EUA). Ele é professor na Universidade de Massachusetts Medical School, em Worcester, Massachusetts. Sua pesquisa foi responsável por descobrir os microRNAs, que são pequenas moléculas de ácido ribonucleico que regulam a atividade genética e contribuiem para o desenvolvimento das células.
Gary Ruvkun nasceu Berkeley, na Califórnia (EUA). Ele é médico e pesquisador vinculado ao Massachusetts General Hospital e à Harvard Medical School, em Boston (EUA). Sua pesquisa foi responsável por descobrir o papel dos microRNAs na regulação dos genes. De acordo com o Nobel, isso ajudou a entender como os genes são ativados e desativados nas células.
O comitê do Nobel declarou que a descoberta é merecedora do prêmio. Essa nova classe de pequenas moléculas são essenciais para o processo que controla o funcionamento e o desenvolvimento das células. Sem os microRNAs, o desenvolvimento das células e tecidos é prejudicado e não acontece corretamente, podendo resultar em doenças como diabetes e até câncer.
Thomas Perlmann, secretário-geral do comitê do Nobel de Medicina, explicou durante uma entrevista ao g1 sobre o assunto. Ele acredita que, provavelmente, todas as doenças tenham ligação com o funcionamento do microRNA.
“ É muito claro que distúrbios na função de microRNA estão ligados ao câncer. Na verdade, essa relação sugere que, em uma perspectiva mais ampla, microRNAs desempenham um papel fundamental em muitas condições de saúde” disse Thomas Perlmann.
A descoberta é importante pois, a partir dela, é possível estudar formas de manipular os microRNAs e descobrir novas opções de tratamentos e medicamentos para as doenças, inclusive para o câncer.
"Compreender esses mecanismos pode ser crucial para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas", acrescenta Perlmann.